A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 04/05/2021

Uma população em situação de rua no Brasil

A população em situação de rua cresceu 140% a partir de 2012, chegando a quase 222 mil brasileiros em março deste ano (2021), e tende a aumentar com a crise econômica avançada pela pandemia da Covid- 19 Entre as pessoas sem moradia estão desempregados e trabalhadores informais, como guardadores de carros e vendedores ambulantes. Além de atualizar dados sobre esse grupo social, duas pesquisas recém-concluídas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) alertam: a propagação do novo coronavírus aumenta a vulnerabilidade de quem vive na rua e exige atuação mais intensa do poder público.

O estudo “Estimativa da População em Situação de Rua no Brasil” utilizou dados de 2019 do censo anual do Sistema Único de Assistência Social (Censo Suas), que conta com informações das secretárias municipais e do Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal. Uma análise constatou que a maioria dos moradores de rua (81,5%) está em municípios com mais de 100 mil habitantes, principalmente das regiões Sudeste (56,2%), Nordeste (17,2%) e Sul (15,1 %).

Apesar das ações emergenciais que as prefeituras aprendendo, o estudo para o aumento do contingente em situação de rua durante uma pandemia por conta da desocupação crescente e mais intensa devido ao desaquecimento da economia no curto e médio prazo. “Com o avanço da pandemia, essas pessoas enfrentam as mais dificuldades de acesso à higiene, além de água e alimentação. E, mesmo que quisessem deixar as ruas, não existia abrigo para todos ”. É de extrema importância buscar alternativas para o aumento temporário da capacidade de acolhimento, como o uso de escolas e hotéis, que hoje estão ociosos, e podem ser adaptados com rapidez.

Além da ampliação de vagas para acolhimento, o estudo mostra a importância da atuação das equipes de abordagem social e de saúde, da distribuição de alimentos e da oferta de equipamentos públicos de higiene. Como escola, atualmente desocupadas, pode servir como abrigo temporário, pois contam com instalações sanitárias, cozinha, refeitório, salas para dormitórios e espaço para outras atividades. “Ao governo federal, cabe o repasse de recursos suficientes e as orientações estratégicas para garantir sua aplicação efetiva, com qualidade do gasto. As medidas municipais analisadas também podem orientar municípios que buscam aprimorar sua atenção durante a pandemia ”, conclui o pesquisador.