A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 04/05/2021

A população em situação de rua no Brasil

Acostumados aos olhares indiferentes dos que passam, eles carregam histórias tristes e conflituosas que dificilmente ganham voz no meio da multidão. São pessoas que, por diversos motivos deixaram seus lares, para tentarem a sorte na rua, e agora buscam no álcool e nas drogas uma forma de anestesiar a amargura, o frio e a falta de esperança. Mas o que leva alguém a decidir viver ao relento, sem endereço fixo? Um estudo inédito coordenado pelo doutor em Sociologia Lindomar Boneti, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), revela que são três as principais causas: conflitos familiares, desemprego e fracasso escolar. “Geralmente as causas estão dentro da família. Existe algo que motiva essa pessoa a ir para a rua”, diz.

A pesquisa ouviu até o momento 300 moradores de rua da capital paranaense. Segundo estatísticas preliminares do Movimento Nacional de População de Rua, aproximadamente 10 mil pessoas residem nas ruas no Paraná – metade em Curitiba. No país, são quase 2 milhões. O professor diz que as causas geralmente estão interligadas. “Um exemplo: o pai perde o emprego, começa a beber e a bater nos filhos. O que acontece é os filhos irem para as ruas por não suportarem mais viver na família”, explica Boneti. Associado aos fatores elencados pelo pesquisador do Paraná, a socióloga da Universidade de Brasília (UnB) Maria Lúcia Lopes da Silva, que também pesquisa os moradores de rua, cita o problema de falta de moradia. “Não ter uma casa própria ou dinheiro para pagar um aluguel também é um ponto que deve ser levado em consideração. É o problema da falta de renda, de um modo geral, que leva a isso”, acrescenta.

O senso comum aponta as drogas como um fator preponderante para que parte da população passe a viver na rua, mas os especialistas afirmam que o vício é consequência e não causa: “As drogas são uma estratégia de sobrevivência de quem está na rua. Aparecem, geralmente, depois que eles vão para a rua. É uma forma de tentar fugir da realidade em que vivem”, afirma Maria Lúcia.