A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 29/05/2021
A Constituição Federal de 1988 garante o direito à moradia, junto a outros como educação, saúde, trabalho, lazer, segurança e auxílio aos desamparados. Contudo, na prática não há o comprimento dessa garantia, visto que a grande quantidade de pessoas em situação de rua no Brasil é uma problemática grave. Nesse contexto, convém analisar a ingerência governamental como causa e seu efeito na sociedade.
A princípio, é válido destacar a falta de investimento por parte do governo em dar assistência adequada aos moradores de rua como dificultador da resolução do problema. De acordo com o conceito “Cidadania de papel”, de Gilberto Dimenstein, os direitos são garantidos apenas na carta constitucional, enquanto na realidade eles não são garantidos efetivamente. Esse quadro é evidenciado, principalmente, nas cidades onde concentra-se o maior número desses indivíduos, pois há uma escassa quantidade de projetos e de propagandas estatais com o intuito de promover as prerrogativas previstas na Constituição citada anteriormente, o que impossibilita a ascensão social desse grupo.
Consequentemente, a exposição demasiada dos indivíduos sem-teto causada pelo abandono estatal favorece a propagação de uma sociedade intolerante. Segundo a “Banalidade do Mal” da filósofa Hannah Arendt, há nos discursos um imenso perigo, pois é nesse que se inicia a hierarquização de poder entre grupos e é a partir dessa relação que um grupo é desumanizado até ser transformado em um retrato do mal, o qual precisa ser destruído. Tal aspecto é notado pela visão higienista de uma parcela da população, a qual perpetua não só estigmas negativos como “criminosos” e “vagabundos” sobre moradores de rua, mas também contribuem para os casos de violência física e a morte desses.
Portanto, fica evidente que organizações não governamentais devem criar campanhas informativas a respeito da população de rua brasileira, por meio da postagens em redes sociais, expondo as causas e efeitos dessa condição à sociedade em geral, com a finalidade de sensibilizar e mobilizar a população para que elas promovam iniciativas de ajuda aos sem-teto e passem a reivindicar dos governantes ações estatais de moradia e segurança a esses indivíduos.