A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 27/06/2021

Na franquia dos filmes “Divergente”, a cidade distópica é dividida em facções, uma para cada virtude: Erudição, Franqueza, Amizade, Audácia e Abnegação. Porém, aqueles que não se encaixam em nenhuma facção são abandonados e vivem nas ruas sem amparo familiar e Estatal. Fora das telas fantasiosas, uma parcela desta ficção faz-se verídica na realidade brasileira uma vez que há o aumento progressivo da população em situação de rua - ignorada pela família e governo. Nesse sentido, para entender com mais eficácia a conjuntura de tal grupo, é imprescindível ir até as raízes do problema.

A princípio, os conflitos parentais são uma das responsáveis por esse complexo cenário. Conforme menciona Zygmunt Bauman em “Instituição Zumbi”, a família tenta manter a sua imagem a todo custo, mas sem exercer suas devidas funções. Desse modo, é de suma importância destacar que o compromisso para com seus descendentes é dar assistência para aqueles que passam por conturbações e precisam de algum tipo de suporte. Entretanto, a ausência de tais compromissos, que confirmam os princípios filosóficos de Bauman, contribuem para a consolidação dessa adversidade quando, a Pesquisa Nacional Sobre a População de Rua diz que, 29,1% destes grupos estritamente marginalizados foram para as ruas por desavenças parentais, ou seja, brigas constantes, verbais ou não, apenas fará com que os indivíduos saiam de suas moradias para definhar em locais insalubres.

Convém pontuar, ainda, que o atual uso exacerbado de drogas no país prova-se ser um proveniente dificultador. Dessa maneira, assim como decorreu nas grandes guerras como, por exemplo, na Segunda Guerra Mundial, os países envolvidos submeteram seus soldados a usarem drogas com o objetivo de conceder-lhes força e bravura. Estes eventos, de fato, colaboraram para que a disseminação de substâncias alucinógenas ocorresse hodiernamente, com tamanha intensidade, de modo que uma classe populacional as consumisse paulatinamente em função de algum sofrimento psíquico e, assim, escapar de suas próprias realidades. Dessarte, tal constatação é autêntica pelos dados da Fundação de Ação Social de Curitiba, na qual apontou que 74% das causas de situação de rua são os envolvimentos com droga, logo, estes usuários entram em um ciclo vicioso e saem de seus lares para que ninguém presencie os distúrbios que a dependência química pode propiciar ao ser humano.

Portanto, medidas devem ser efetivadas a fim de mitigar os impactos dessa problemática. Urge a ação da campanha reeducativa, por meio de verbas governamentais, feita pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de conscientizar os cidadãos a não ingerirem drogas para a anulação de objeções pessoais, entregando soluções racionais e evitando o aumento de grupos sociais em vulnerabilidade. Espera-se que com isso, o quadro se reverta do qual, hoje, é um espelho dos filmes Divergentes.