A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 04/07/2021
De acordo com Simone de Beauvoir, escritora e socióloga francesa, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos acostumamos a eles”. De forma análoga, a citação dialoga diretamente com a questão da população em situação de rua no Brasil, uma vez que mais escandalosa do que a ocorrência desse fato social, possibilitado pela falta de alteridade, é a sua naturalização por parte da sociedade civil e do Estado. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, a fim de que se pode liquidá-la
A priori, é pertinente citar que, segundo o escritor brasileiro Ariano Suassuma, a injustiça secular dilacera o Brasil em dois países: o país dos privilegiados e o país dos desprovidos. Essa segregação é explícita na problemática da população moradora de rua, que, desprovida de moradia digna, é, de forma secular, vítima de um injusto e antiético descaso social e governamental. Nesse viés, o filósofo francês Levinas defende que a ética irrompe no reconhecimento e no contato com o outro, isto é, no exercício da alteridade. Dessarte, verifica-se que o Estado é submisso quanto à falta desse princípio ético na sociedade brasileira, uma vez que se confronta com a alteridade ao despojar apatia em relação aos moradores de rua e às condições institucionais na qual eles vivem.
Outrossim, consoante ao sociólogo Durkheim, os fatos sociais podem ser normais ou patológicos. Sob essa ótica, o grande número de moradores de rua no território nacional destaca-se como um ambiente patológico em crise; pois rompe a harmonia social e desfavorece o progresso coletivo. Entretanto, apesar dessa problemática acarretar danos para todo o corpo social, observa-se a sua naturalização por parte da civilização brasileira, como consequência do descaso e da apatia governamental e social anteriormente citados. Desse modo, em função de sua fixidez e repetição histórica sem a concepção de enfrentamento, a existência dos moradores de rua passou a ser, erroneamente, considerado algo natural, isto é inerente à sociedade e impassível de mudança.
Em suma, esse cenário é inconcebível e faz-se necessário combatê-lo. Para tal, é míster a criação de uma fundação, chamada “Fundação da Reintegração Social”, por meio do Governo Federal. A partir dela serão construídos os “Centros de Reintegração Social” por todo o país, onde serão oferecidos cursos profissionalizantes e educacionais com o intuito de reintegrar moradores de rua na sociedade através da educação e da profissionalização. Além disso, a fundação, com o auxílio do Ministério do Trabalho e do Ministério da Educação, deve reeducar a população por meio de palestras em escolas e empresas sobre a importância de restabelecer esses cidadãos na sociedade através de oportunidades de trabalho e do exercício da alteridade. Somente assim será possivel desnaturalizar o cenário escandaloso e imoral da população em situação de rua no Brasil de forma ética.