A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 23/06/2021

De acordo com o geógrafo Milton Santos, dar garantia à moradia é possibilitar histórias próprias aos indivíduos. Porém, essas histórias não são vividas por todos os brasileiros, visto que existem pessoas em situação de rua no país. Nesse contextos, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude do descaso social e da ineficiência governamental.

Dessa forma, em primeira análise, a invisibilidade do “morador de rua” é um desafio presente no problema. Segundo Karl Marx, o ser humano sofre o processo de “Reificação” no qual perde seu caráter humano e passa a ser um objeto. Sendo assim, as pessoas em situação de rua são tratadas como “coisas”, estorvo social, um obstáculo para o turismo e a beleza da cidade. Com isso, a existência desses cidadãos é totalmente banalizadas e ignorando, faltando a ele as garantias básicas dos Direitos Humanos: Alimentação e moradia. Passando a ter uma cidadania mutilada, como retrata Milton Santos.       Além disso, a falta de eficácia do governo e das leis brasileiras são um entrave no que tange ao problema. Embora a constituição Brasileira, no Artigo número 25, assegure que todos os cidadãos têm direito à moradia, essa não é a realidade do país, visto que, estima-se ter 221 mil pessoas em situação de rua. Com isso, o Brasil vive uma perversidade social, na qual permite tal ato, em que pessoas durmam no canto de uma calça, faça sol, faça chuva, frio ou calor. Em virtude disso, a constituição é “rasgada”, pois não cumpre o mínimo do seu papel e o governo não alcança o seu objetivo de felicidade com a política, como dizia Aristóteles.

Portanto, faz-se necessário uma intervenção. Para isso, o Poder Público deve criar políticas públicas, por meio de investimentos destinados às pessoas em situação de rua, a fim de reverter a insuficiência legislativa que impera. Tal ação deve contar com a criação de novos abrigos e a adição de cursos profissionalizantes, com a finalidade de potencializar a dignidade dessas pessoas e inseri-las no mercado de trabalho. Paralelamente a isso, é preciso intervir na “reificação” presente no problema, por meio de projetos de consciência social. Dessa forma, será possível todos terem histórias próprias, como diz Milton Santos.