A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 20/07/2021
No livro “Garota em Pedaços”, Charlie Davis é uma jovem que vive na rua, após a tentativa de suicídio de sua melhor amiga. Acompanhada de dois amigos, Davis passa por terríveis episódios de frio, de fome, e de prostituição, além do uso de drogas. Hodiernamente, fora da ficção, encontra-se, no Brasil, um grande número de pessoas em situações análogas à de Charlie. Ao analisar a problemática, percebe-se que ela está vinculada a fatores como negligência estatal e aceitação do corpo social, fazendo-se necessária a dissolução dessa conjuntura.
Nessa perspectiva, é lícito destacar a insuficiência do governo como causa do impasse. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil é o nono país mais desigual do mundo. A par disso, é indubitável que esse cenário contribui com o aumento da população em situação de rua, visto que uma das principais razões, dentre outras, que leva um indivíduo a morar na rua é a falta de recursos financeiros, como o caso fictício de Charlie Davis. Sob esse viés, o cenário de cidadãos sem moradia classifica-se como um revés gerado pela incapacidade estatal em prover um direito constitucional. Destarte, é legitimada a afirmação de Eçá de Queiroz: “políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelos mesmos motivos”.
Outrossim, é possível somar aos aspectos supracitados a aceitação do tecido social como catalisador do problema. Nesse ângulo, o sociólogo Darcy Ribeiro afirmou que a nação brasileira tem uma perversidade intrínseca em sua herança, que torna a sua classe dominante enferma de desigualdade. Dessa forma, nota-se que, no Brasil, os interesses da classe em situação de rua são ignorados não somente pelo campo governamental, como também pela sociedade. Portanto, há desarmonia social entre as classes, promovida pelo egoísmo que prejudica a população que vive na rua, de forma que esses cidadãos percam a esperança na chance de metamorfose. Consequentemente, é essencial superar esses paradigmas.
Em virtude dos fatos elencados, são fundamentais ações que irão modificar a situação dos indivíduos sem moradia. Logo, é dever da máquina governamental federal, em aliança com as estaduais e municipais, promover programas de renda básica direcionados à população em questão, por meio de verbas direcionadas e contratação de especialistas, a fim de permitir que essas pessoas possam pagar aluguéis e, assim, melhorar sua condição de vida. Ademais, é dever da sociedade extinguir o egocentrismo da cultura tupiniquim, com o objetivo de sensibilizar-se para a causa, o que pode ser feito por meio de cobranças ao governo, para que as ações sejam concretizadas. Quiçá, nessa via, o cenário de pessoas em situação de rua no Brasil é apagado, e se afasta da realidade vivida por Charlie Davis.