A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 24/07/2021

O livro “Capitães da areia”, do autor Jorge Amado, exibe em seu enredo a vida de meninos moradores de rua e suas lutas para a sobrevivência. Infelizmente, é inegável a semelhança da obra ficcional com a realidade brasileira, visto que atualmente inúmeras pessoas se encontram em situação de rua no país. Essa problemática é geralmente conseguinte de uma dependência química e da desigualdade social enraizado com o preconceito. Para que haja a reversão desse quadro, faz-se necessária a análise de tais fatores.

É relevante abordar, primeiramente, que a dependência química se torna cada vez mais presente na sociedade, visto que os entorpecentes hoje em dia, são considerados uma saída para o sofrimento mesmo acarretando futuros malefícios como o desabrigo. Segundo pesquisas realizadas pelo governo para a elaboração do projeto “Rua aprendendo a contar”, cerca de 71,3% das pessoas entrevistadas citaram como um dos motivos para a situação de rua, a dependência química. Ao iniciarem uma vida dependente, o indivíduo tem seu psicológico alterado por consequência dos efeitos das drogas ou do álcool gerando uma necessidade incontrolável do uso da substância, os fazendo vender pertences, abandonar empregos e até viverem como sem-tetos por não possuir controle sobre si mesmos e auxílio psicológico.

Em sequência, é de extrema importância fundamentar a desigualdade social enraizada no preconceito como um forte impulsionador para situação de rua de inúmeras pessoas. Conforme o filósofo espanhol Aldous Huxley,“Os fatos não deixam de existir porque são ignorados”. Muitas vezes as pessoas pensam que moradores de rua são indivíduos que não possuem interesse na vida, mas quase sempre estão equivocados, obtendo um pensamento preconceituoso. Uma parte considerável dessas pessoas são vitimas de uma desigualdade social ignorada pelo governo e por outras pessoas com uma vida mais estável por não reconhecer os verdadeiros motivos que levaram esses cidadães às ruas. Diante dos fatos apresentados, é inadmissível que tal cenário continue a perdurar.

Depreende-se, então, a necessidade de combater essa condição de moradia na rua enfrentadas por uma parte da sociedade. Para isso, é imprescindível que a assistência social por intermédio de medidas públicas pressione o governo do país para a criação de conjuntos de habitacionais e tratamento psicológico que garantam a qualidade de vida e a reentrada no mercado de trabalho para os moradores de ruas. Assim, os indivíduos que vivem na situação de rua possuirão mais oportunidades para sair dessa vida precária, reerguendo sua dignidade, segurança acerca de seus direitos e controle sob seus possíveis vícios.