A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 21/08/2021

O filme “A procura da felicidade” retrata a realidade de um pai que por enfrentar dificuldades financeiras se vê obrigado a morar nas ruas com seu filho. Fora da ficção, tal dilema se faz presente no contexto de muitos brasileiros, uma vez que a população em situação de rua é uma constante na sociedade contemporânea decorrente da negligência governamental e resultado da histórica exclusão social brasileira. Deste modo, torna-se essencial que medidas sejam tomadas para mitigar tal questão.

A princípio, vale destacar que a Constituição Federal de 1988 garante direitos igualitários a todos os cidadãos. Entretanto, o que se observa é a violação destes, haja vista que a negligência governamental auxilia na perpetuação das condições miseráveis que obrigam os indivíduos a viverem nas ruas. Além disso, a falta de interesse estatal em solucionar a problemática é perceptível ao ponto de que poucos investimentos são feitos com o intuito de ajudar esta parcela vulnerável da população, a longo prazo. Contudo, apesar do número de indivíduos desabrigados que morrem de frio, fome e doenças aumentar a cada ano no país, segundo dados do IBGE, tal realidade está longe de ser contornada.

Ademais, é imprescindível salientar que a histórica exclusão social, presente na sociedade brasileira, está diretamente atrelada à realidade das pessoas que não possuem um endereço residencial, haja vista que a constante marginalização daqueles que já se encontram desabrigados contribui para a manutenção de um ciclo em que, por viverem nas ruas estas pessoas são excluídas, todavia, pouco se faz com o intuito de promover a inclusão e propor melhorias para este cenário. Nesta perspectiva, tal problemática pode ser ilustrada pelo livro “Cacos de vida”, da autora Sally Grindly. A obra retrata a vida de dois meninos que, por condições adversas, foram morar nas ruas. Nestas circunstâncias, eles foram maltratados e agredidos, e assim como na realidade, poucos foram os que “abraçaram a causa” e  ajudaram-os.

Em virtude dos fatos mencionados, torna-se evidente a necessidade de promover melhorias neste âmbito que busquem sanar tais adversidades. Portanto, cabe ao Ministério da Cidadania, em parceria com os setores de assistência social dos municípios, promover políticas públicas, por meio de investimento de parte da verba orçamental para a criação de conjuntos habitacionais com longos prazos para a quitação dos valores, com o intuito de promover soluções práticas e definitivas que permitam as pessoas “sem-teto” a se abrigarem e a conseguirem eventuais empregos, para se sustentarem. Dessa forma, como o propósito de garantir, gradativamente, o bem-estar e a dignidade de todos.