A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 01/09/2021
Consoante ao sociólogo Michel Foucalt, em sua obra “Corpo e Poder”, há uma disciplinarização dos comportamentos que se traduz na exclusão de corpos desviantes. Nesse sentido, é perceptível que a população em situação de rua no Brasil sofre tal segregação. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, em conformidade com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Cidadania se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas que resolvam a questão da população em situação de rua. Isso é perceptível, lamentavelmente, pela Constituição Federal, que embora garanta o direito à dignidade e moradia, não é aplicada na prática para os que sofrem dessa segregação socioespacial. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e cerceia os que não possuem dinheiro para comprar ou alugar uma moradia a uma realidade de ciclos de misérias estruturais.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social. De certo, mediante os dogmas da filósofa Hannah Arendt em “Banalidade do Mal”, o campo ético é cerceado por uma visão limitada que contribuí para a inação da sociedade diante de situações diferentes. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros normalizaram o fato de haver mendigos na rua, o que gerou frutos como a invisibilidade e exclusão dessas pessoas do corpo social. Isso posto, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, as pessoas em situação de rua serão esquecidas e o problema, perpetuado.
Dessarte, fica claro que a inoperância estatal, aliada à ignorância social, é a gênese desse revés. Assim, ONGs que ajudam pessoas em situação de rua devem fazer campanhas de conscientização sobre a importância de reinvindicar o direito à dignidade e à moradia, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e do Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia e, consequentemente, que eles cobrem o governo para uma tomada urgente de medidas, como a construção de casas sociais. Espera-se, com isso, que não haja mais a exclusão daqueles que não possuem moradia.