A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 05/09/2021
A imposição de padrões rígidos de certo e errado e a busca por verdades absolutas impedem que parte da sociedade conviva com as diferenças. Essa visão etnocêntrica resulta em uma pretensa superioridade capaz de causar exclusão social, como no caso da marginalização de pessoas em situação de rua no Brasil. Desse modo, é notório que fatores como o precário sistema educacional brasileiro, como também o posicionamento do Estado diante desse infortúnio têm contribuído para esse cenário.
A princípio, nota-se que o modelo educacional brasieliro é conteudista, nesse sentido, mecanizado. Essa forma de ensino, segundo o educador Paulo Freire, estimula apenas a competitividade entre os estudantes. Dessa forma, o conceito de cidadania e participação social deixa a desejar na formação educacional dos jovens brasileiros, os quais, ausentes de uma educação que estimule o pensamento crítico, acabam, muitas vezes, ignorando fatores que podem levar o indivíduo à situação de rua. Assim, segundo a revista Veja, alcoólatras, por exemplo, representam mais de 30% dos sem teto. Nessa perspectiva, a falta de conscientização da população é um fator decisivo para esse infortúnio.
Em segundo plano, o posicionamento do Estado também cumpre papel relevante para o aumento nos casos de pessoas sem teto no país, pois, apesar de haver na Constituição Federal, de 1988, o direito à moradia, não existiu durante o crescimento das cidades organização urbana, visto que durante as décadas de 50 e 60, com a política de industrialização dos grandes centros econômicos, nesse sentido, houve a concentração de investimentos em algumas cidades, a obrigar, assim, milhares de pessoas saírem de suas regiões em busca de novas oportunidades nesses locais. Destarte, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, sem estrutura para comportar essa grande massa de pessoas segregou a maioria desses imigrantes para as periferias, a levar, desse modo, muitas pessoas à situação de rua.
Fica evidente, destarte, a necessidade que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar com o aumento nos casos de pessoas sem moradia no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deverá, junto às escolas, desenvolver projetos educacionais nos ensinos médios e infantil, como a semana da urbanização, com estudo de casos e peças teatrais que possam conscientizar os jovens sobre a importância do respeito com os moradores de rua, a mostrar as possíveis causas que levam uma pessoa a essa situação, com intuito que acabar com o preconceito e a marginalização que esse grupo de pessoas sofrem diariamente, como também o Ministério do Desenvolvimento criar políticas de acesso a moradias para pessoas de baixa renda, para que haja, portanto, a integração dessas pessoas. sociedade.