A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 09/09/2021
Na Idade Média, no período das Cruzadas, as guerras eram constantes e, com isso, os Estados utilizavam uma tática conhecida como escoamento populacional, no qual enviavam inúmeras pessoas em situação de rua para lutarem, pois, desse modo, estariam “limpando” a cidade. Apesar desses eventos terem acontecido há seculos, o descaso para com essa minoria populacional perdura até os dias atuais, uma vez que, além de estar vivendo em condições desumanas, é considerada, pelo poder público, como fantasma.
É importante ressaltar, em primeiro plano, o cotidiano precário enfrentado por esses indivíduos. O poema “O bicho”, de Manuel Bandeira, de forte crítica social, mostra o modo como esses se alimentam nos lixões, comparando-os a animais irracionais. Sob essa ótica, a questão da comida, juntamente com a falta de moradia, higiene e serviços básicos, vai de encontro aos princípios da dignidade humana - assegurada pela atual Constituição federal - e contribuem para que essa parcela social não viva plenamente, apenas sobreviva. Diante desse cenário, os sem-teto têm a saúde debilitada, sendo vulneráveis a doenças e a desnutrição, e, na maioria das vezes, se submetem a qualquer coisa para tentar mitigar essa situação (como, por exemplo, a situação do lixão narrada por Bandeira).
Ademais, apesar da população que se encontra em situação de rua ter crescido cerca de 140% desde 2012, sua existência ainda é negligenciada pelo governo. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a invisibilidade equivale à morte; um fato que corrobora essa ideia é de que os moradores de rua, no Brasil, não participam do censo demográfico do IBGE, logo, é como se não fossem considerados cidadãos. Além da falta de auxílio e projetos sociais para essa minoria populacional, sua vivência é constantemente mascarada pelos estados - como, por exemplo, a instalação de pedras embaixo de pontes nas grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, para que os brasileiros em condições de rua não durmam nesses espaços e causem uma “poluição visual”.
Portanto, o conjunto desses fatores evidencia a necessidade em modificar o árduo dia a dia dessa minoria. Nesse viés, cabe ao governo de esfera federal e estadual implementar medidas, primeiramente a curto prazo, com o intuito de investir nos principais serviços básicos: alimentação, higiene e moradia. Nesse viés, é mister que haja a criação e reativação de restaurantes populares nos grandes centros urbanos, bem como a oferta gratuita de marmitas para essa parte da população, a fim de conter o problema da fome. Outrossim, a utilização de escolas e outros espaços estruturados desocupados para serem abrigos temporários, oferecendo também banhos,é de suma importância. Nesse caso, se tais ações forem implementadas, é possível diminuir a quantidade de brasileiros “fantasmas”.