A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 20/09/2021
Na distopia “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley, é retratada uma sociedade com extrema segregação, principalmente dos habitantes da “Reserva selvagem”, em que os habitantes vivem em condições insalubres, sem escolaridade e excluídos socialmente. A isso, é possível relacionar a população crescente em situação de rua no Brasil, que é fomentada pela baixa escolaridade e pelo mercado de trabalho restrito e seletivo. Apesar de ser uma questão inexorável hodiernamente, é inaceitável que haja cidadãos nessa situação.
Nesse contexto, é fundamental relacionar aos moradores de rua sua baixa escolaridade e ausência de perspectiva de vida para a população mais carente, conforme a assertiva de Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma, sem ela, tampouco, a sociedade muda”, dado que uma sociedade igualitária é diretamente proporcional a uma educação eficaz. Dessa forma, a questão educacional falha no Brasil reforça a desigualdade social, visto que não há oportunidades tangíveis aos jovens mais necessitados. Assim, o estudante de situação financeira precária, geralmente é fadado a uma educação ineficiente e, posteriormente, a trabalhos informais e sem perspectiva, posta a ausência de qualificação e escolaridade necessária para romper essa situação.
Além disso, segundo as pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil é de 15%, o que constitui uma porcentagem significativa da população. Assim sendo, é inevitável que aqueles que perdem seus empregos, apesar de buscar alternativas, como os serviços informais a exemplo da reciclagem, do trabalho em aterros sanitários e semáforos, dificilmente conseguem arcar com todas as despesas de subsistência. Desse modo, posta a alta especulação imobiliária atual, o residente que não tem fundos para pagar seu aluguel e demais contas, perde seu direito à moradia e, assim, se torna um morador de rua. Com esse ciclo iniciado, voltar à realidade anterior é intangível, pela falta de oportunidades às pessoas nessa situação.
Portanto, é fundamental que essa realidade mude. Para isso, o Ministério dos Direitos Humanos deve promulgar o projeto “Mais oportunidades”, o qual consistirá em duas medidas principais. Na primeira delas, ocorrerá o desenvolvimento de cursos profissionalizantes e tecnólogos para alunos de Ensino Médio que tenham poucas oportunidades, para que consigam se desenvolver em uma área de interesse. Na segunda, haverá a disponibilização de vagas de emprego às pessoas em situação de rua, ofertadas pelas prefeituras, a fim de que haja saída desse ciclo de desigualdade e espaço a todos no mercado de trabalho do Brasil, que será uma sociedade mais justa e igualitária.