A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 25/09/2021

Desde a Antiguidade Clássica, Aristóteles defendia que o indivíduo detém uma característica fundamental à manutenção da humanidade: a capacidade de conviver em harmonia. Todavia, os brasileiros estão distantes da civilidade pregada pelo filósofo, basta ver os entraves sofridos pelas pessoas em situação de rua . Com efeito, a solução pressupõe que se combatam não só a incúria governamental, mas ,também, o pensamento individualista.

Em primeiro plano, é preciso atentar-se para a negligência estatal. De acordo com o filósofo Jean Jacques Rousseau, o Estado responsabiliza-se por estabelecer condições básicas ao promover o bem-estar social. Entretanto, a ideia do pensador não se faz presente na realidade brasileira, uma vez que, apesar de ser um direito social garantido na Constituição Federal de 1988, a moradia está sendo negada aos indivíduos em situação de rua, o que representa a falha por parte do governo em garantir o bem-estar aos seus cidadãos, que acabam vivendo em situações precárias, enfrentando, em certos casos, a fome e a violência. Logo, faz-se necessária a adoção de medidas que garantam, aos seres humanos, qualidade de vida.

Além disso, outra dificuldade encontrada é o individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do filósofo pode ser observada de maneira específica na questão das pessoas que se encontram em condição de rua, que, por serem uma minoria social, são  invisibilizados socialmente, o que potencializa a problemática, visto que, se ninguém intervir na questão, ela permanecerá vigente e mais pessoas viverão em situações habitacionais inaptas para o uso humano. Dessa forma, é necessário extinguir o pensamento individualista da sociedade.

Portanto, é evidente que medidas precisam ser tomadas para amenizar a problemática. Para tanto, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, deve agir por meio de ações de acolhimento nas ruas para inserir os habitantes em abrigos, com a finalidade de garantir o acesso à moradia. Ademais, a mídia, grande difusora de informações, deve exibir campanhas que informem  a sociedade sobre a importância de agir para garantir a visibilidade dessa minoria ao acesso moradia e o bem-estar; essa medida pode ser executada por meio de propagandas, objetificando a consciência de igualdade social. Somente assim a sociedade poderá viver em harmonia, seguindo o pensamento de Aristóteles.