A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 30/09/2021
Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno”, por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viés, talvez, hodiernamente, ao se deparar com uma parte da população em situação de rua no Brasil, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que essa realidade reflete um grande desamparo social no meio coletivo, assim evidenciando uma grave mazela que precisa ser extinguida, pois ela deturpa a harmonia comunitária, além de revelar a exclusão e a falta de empatia. Portanto, é mister assentir que a ausência de programas assistênciais eficientes, adjunto ao descaso do Governo, são os fatores responsáveis pela cristalização do imbróglio.
Em primeira instância, é fulcral anuir que os indivíduos brasileiros que vivem nas ruas estão em constante ameaça, haja vista que não dispõem de segurança, saúde e alimentação adquada, ficando vulneráveis a situações que ameaçam às suas vidas, dessa maneira, a carência de um amparo social condena esses seres humanos a viverem uma situação precária. Nesse contexto, é verídico que a escassez de programas assistênciais eficientes é o fator para o número de desabrigados continuar crescente, além de expor um caráter egoísta do corpo social, em virtude das pessoas não se comoverem com o cenário excruciante vivenciado por essa comunidade desamparada e tentar ajudá-la. Logo, é notório a semelhança entre o panorama contemporâneo e a “Modernidade líquida”, definida pelo sociólogo Zygmunt Bauman, como uma sociedade qualificada pela falta de empatia e alteridade.
Em segunda análise, urge ratiticar que o poder público se torna responsável pelo cenário aflitivo, tendo em vista que, ao não se mobilizar para combater o empecilho, ele se tornou complacente. Dessa forma, contribuindo para o progresso dessa adversidade na sociedade, ignorando sua obrigação com o povo brasileiro de garantir o bem-estar coletivo. Sob essa óptica, impende atribuir ao Estado o conceito de “Instituiçãco Zumbi”, o qual foi criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, para definir as instituições que não cumprem com suas funções e, no entanto, mantém suas formas. Ademais, há uma violação à Constituição de 1988, em razão do desamparo social com os indivíduos acometidos pelo revés, pois os direitos prometidos não são efetivados, afetando negativamente a vida das pessoas.
Dessarte, para evitar um cenário semelhante ao do século XVII, o qual era alvo das críticas de Gregório de Matos, far-se-á que o Governo, enquanto instância máxima da administração executiva, proporcione assistência social e acompanhamento periódico, a fim de ajudar as pessoas que vivem nas ruas de modo eficiente, mediante parcerias com ONG´S e empresas para poder ofertar imóveis próprios e condições adquadas de saúde e alimentação a esses indivíduos em larga escala. Desse modo, evitando que esses vivenciem situações precárias e ameaçadoras, corroborando a harmonia coletiva.