A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 05/11/2021
Para Platão, filósofo grego da Antiguidade, a qualidade de vida ultrapassa a própria existência, pois, para ele, o importante não é viver, mas viver bem. Sob tal ótica, a situação de rua, no contexto brasileiro, é um obstáculo ao estabelecimento desse ideal na vida de muitos indivíduos, o que configura um grave problema social. Isso se explica não só pela negligência governamental, mas também pela desigualdade social no país. Assim, é fundamental analisar tais fatores para liquidar essa mazela.
A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da má gestão estatal no tocante ao ensino público. A esse respeito, segundo a Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico e Social, no Brasil, o investimento governamental na educação pública está abaixo da média mundial. Nesse sentido, com a falta de verba e o sucateamento de escolas e faculdades do governo, a população que depende desse serviço não tem acesso a um aprendizado adequado e não se capacita para entrar no mercado de trabalho futuramente. Consequentemente, esses indivíduos dificilmente conseguirão se estabelecer em algum emprego, o que os impossibilita de obter sustento e aumenta muito a probabilidade de que sejam moradores de rua. Logo, esse quadro de inoperância das esferas de poder exemplifica a existência das insituições zumbis, de Bauman, que não desempenham o seu papel.
Outrossim, a discussão em curso deriva ainda da desigualdade social existente no Brasil. Quanto a isso, de acordo com Victor Hugo, escritor frânces, o progresso age de forma a beneficiar alguém esmagando outra pessoa. Nesse viés, entende-se que, com o avanço da globalização proveniente da Quarta Revolução Industrial, a falta de acesso aos aparelhos eletrônicos e à internet tornou-se uma barreira que separa ricos e pobres, causando o benefício daqueles em detrimento desses. Em virtude disso, os moradores de rua dificilmente conseguem transformar as suas vidas e reverter a sua situação de miséria, em um mundo totalmente conectado e integrado pela Internet das Coisas, sem acesso o acesso a essas tecnologias, o que ocasiona a perpetuação da sua condição de pobreza.
Portanto, de modo a reduzir os impactos da problemática supracitada, medidas exequíveis são necessárias. Primeiramente, compete ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com Ministério da Educação, destinar mais verba para a educação pública. Isso deve ser feito por meio do investimento na manutenção de escolas e faculdades - com a compra de materiais que potencializem o aprendizado, como computadores e tablets - a fim de que a população mais pobre possa estar apta a se firmar no mercado de trabalho e de que não venha a viver na rua. Ademais, cabe ao Poder Executivo estabelecer a inclusão digital de moradores de rua mediante a disponibilização gratuita de espaços nos quais essa parcela da população possa usar a internet e aprender a usá-la.