A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 05/11/2021
O quadro expressionista “O Grito”, do pintor Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperan-ça refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela situação de rua é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nes-se viés, torna-se crucial analisar as causas desse impasse, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a invisibilidade social.
A princípio, ressalta-se que a indiligência do Estado potencializa a vulnerabilidade das pessoas de rua. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade sem, todavia, cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, observa-se que, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, houve um aumento de 15% na população que vive na rua nos últimos três anos. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria de Bauman e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Outrossim, é igualmente preciso apontar a falta de visibilidade social dessa minoria como outro fator do problema. Posto isso, de acordo com Georg Simmel, o termo “Atitude Blasé” é justamente o que ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Es-se desinteresse pelo próximo pode ser observado diariamente, como na fala pública de Beatriz Dória, esposa do atual governador de São Paulo, que menosprezou essa população vulnerável e ressaltou que estavam em situação de rua porque gostavam e não queriam sair dela. Dessa forma, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas para o suporte da população nessa conjuntura. Para isso, o Ministério dos Direitos Humanos deve criar um auxílio financeiro, por meio das verbas coletadas em impostos, que garanta o mínimo de suporte a fim de que o cidadão nessa condição de vida prospere, adquirindo assim melhores oportunidades e dignidade humana. Espera-se, assim, que os sofrimentos retratados por Edvard Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.