A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 15/11/2021

O documentário “Eu Existo” mostra a realidade de pessoas em situação de rua no Brasil e retrata as limitadas expectativas sociais desse público por sentir-se marginalizado na sociedade. Nesse sentido, o filme retrata os problemas enfrentados por esses  indivíduos, os quais são impactados pela omissão estatal e pela indiferença social. Assim, é preciso estratégias concretas para reverter o alto índice de pessoas que encontram-se nas ruas do país tupiniquim.

Diante de cenário, destaca-se a ineficiência, por vezes inexistência, de políticas públicas voltadas à assistência da população em extrema vulnerabilidade. Isso, do ângulo de observação  do sociólogo Jessé de Souza na obra “Subcidadania Brasileira”, deve-se ao fato de que, na nação, muitos cidadãos ficam distantes de seus direitos sociais. Nessa conjuntura, a população que ocupa lugares públicos tem sua cidadania restrita ao não usufruir dos garantias sociais. Desse modo, esse fator é decorrente do omissão governamental que não implementa medidas, de fato, eficazes para resolver esse problema, além de prestar pouca assistência visto que, não raro, quem sobrevive às condições da rua não tem acesso a serviços como médicos ou escolas.

Outrossim, o corpo civil inclina-se a um comportamento indiferente frente aos casos da população em situação de rua. Nessa ótica, segundo filósofo George Simmel, a sociedade tende a adotar uma " postura blasé" diante de assuntos supostamente dispensáveis. Tal circunstância,de acordo com o  autor, verifica-se sobretudo no meio urbano, local em que se verifica as maiores taxas populacionais em condições vulneráveis. Sob esse viés, a coletividade adquire um posição que naturaliza esse quadro e ignora-o por ser analisado com algo normal. Logo, esse panorama gera discriminação e invisibilidade às pessoas que vivem em espaços públicos, o que reverbera nos discursos pouco esperançosos do documentário.

Portanto, cabe ao Ministério da Cidadania criar um projeto que, por meio da implementação de redes de apoio, sobretudo nos centros urbanos, mas com filiais em cidades de médio e também pequeno porte, conceda ajuda ao acesso a direitos sociais básicos, por exemplo, trabalho, segurança e saúde, a pessoas em situação de rua. Essa ação terá como fito melhorar a condição de vida desses indivíduos bem como tirá-los  do recorte de subcidadania. Ademais, ONGs devem criar campanhas que, por meio da internet, orientem sobre o estigma de menosprezo e indiferença carregado por cidadãos que estão em condição de rua. Com isso, espera-se um decréscimo no preconceito e a redução de “posturas blaséres” na nação verde-amarela.