A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 04/02/2022
A Constituição Federal de 1988 garante igualdade a todos os cidadãos brasileiros. Fora do papel, infelizmente, isso não acontece, uma vez que a invisibilidade e segregação atingem fortemente a população em situação de rua, fruto da negligência governamental e da ignorância social. Logo, faz-se necessário um debate acerca desse tema de grande relevância nacional.
Nessa perspectiva, é indubitavelmente possível afirmar que a inércia estatal acerca da nefasta realidade dos cidadãos em situação de rua fortalece essa problemática. Nesse viés, o filósofo Aristóteles corrobora isso ao afirmar que “é dever do Estado garantir felicidade ao seu povo”. Apesar disso, a realidade deturpa a teoria uma vez que esse agente falha, fatalmente, em assegurar direitos básicos aos cidadãos desamparados, como alimentação e moradia. Isso decorre da escassez de projetos sociais que visam amparar essa parcela, negligenciando-a. Desse modo, o cotidiano desprovido de bem-estar desse grupo é simbolizado no poema de Cruz e Sousa: “a vida para ti é negra e dura”.
Ademais, de Platão -com o Mito da Caverna- a Carlos Drummond de Andrade -com o poema Inocentes do Leblon- é visível a ignorância da sociedade, desde a Idade Antiga até a contemporaneidade. Nesse contexto, no Brasil, esse comportamento ainda persiste por parte da população acerca das mazelas no que tange aos indivíduos em situação de rua, grupo segregado socialmente. Isso ocorre em razão da falta de debates acerca dessa pauta entre as classes mais privilegiadas, criando uma “bolha social”, que impede a formação da criticidade e da visão empática sobre as outras realidades. Desse modo, cria-se uma omissão que corrobora a persistência da problemática.
Portanto, faz-se necessária a adoção de medidas para modificar o panorama atual. Sob esse prisma, o Poder Público deve, juntamente com as secretarias municipais de desenvolvimento social, criar projetos de amparo a essa parcela da população, por meio da disponibilização de lares em albergues, alimentação contínua e ajuda econômica, a fim de melhorar a condição de vida desses indivíduos. Assim, o que foi posto na Constituição será, finalmente, cumprido.