A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 25/03/2023

No livro “Tinha uma pedra no meio do caminho”, o padre Júlio Lancellotti discute a questão das pessoas em situação de rua. Esse religioso tornou-se célebre quando, à marretadas, destruiu uma estrutura de artefatos de arquitetura hostil construídos pela prefeitura de São Paulo. Defende-se, assim, que não só o poder público como também a sociedade civil devem trabalhar em conjunto para amenizar a complexa problemática da população que vive nas vias publicas pátrias.

Nesse sentido, pode-se apontar como causas para tal problema social o baixo nível de escolaridade, o desemprego, o álcoolismo, a drogadicão e desarticulação familiar. Em vista disso, vê-se que não é “um caso de polícia”, como diria o ex-presidente Washinton Luís, mas sim uma consequências das políticas neoliberais. No bojo dessa questão, destaca-se a indignação do padre com a postura higienista do Estado que em vez de prestar assistência discrimina esses indivíduos, criando uma espécie de “apartheid”. Assim sendo, percebe-se um sentimento de aporofobia por parte tanto das autoridades como dos comerciantes, pois esses desvalidos atrapalham os negócios: sujam a cidade e afastam os consumidores.

Outrossim, como efeito surge uma ação policialesca e higienista que, como nos tempos da Primeira República, quer resolver a matéria social com repressão. Nesse viés, as estruturas de arquitetura hostil que visam à impedir que as pessoas fiquem na rua se não estiverem consumindo. Segundo o IPEA, no Brasil, estima-se que a população de rua seja em torno de 281 mil pessoas em 2022, o que representa um aumento de 38% desde a pandemia. Então, com essa explosão de números fica difícil usar as tradicionais estratégias de invisibilidade, já que os sem teto estão espalhados por todas as parte da cidade.