A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 21/04/2023

O poema “O bicho”, escrito pelo modernista Manuel Bandeira, descreve a realidade das pessoas em situação de rua, que recorrem a atitudes “animalescas” para garantir sua subsistência. Saindo do mundo literário, sabe-se que o Brasil contemporâneo se assemelha ao retratado na obra. Dessa forma, é válido analisar a ineficiência governamental como origem desse problema e a sua banalização como agravante da questão.

Nessa perspectiva, nota-se a ausência estatal no papel de garantidor dos Direitos Constitucionais, entre eles o de acesso à educação. Segundo o pedagogo Paulo Freire, a realidade só poderá ser, verdadeiramente, transformada por meio da educação. Assim sendo, sem a atuação escolar, as vivências brasileiras, historicamente marcadas pela desigualdades socio-economicas, vão se repetindo. Logo, os indivíduos que não possuem acesso à moradias dignas vão se alterando, mas a existência dessa população permanece.

Ademais, percebe-se a falta de alteridade, por parte da sociedade. De acordo com a filósofa alemã Hannah Arendt, uma situação que outrora seria escandalizante torna-se banal em função de sua recorrência. Por isso, devido à herança colonial de falta de empatia entre o povo e de desumanização de parcela da população, a sociedade normalizou tal comportamento e não sente-se incomodada pela condição desumana na qual as pessoas sem moradia vivem tornando-se espectadores da miséria. Tais ações atuam como perpetuadoras do cerceamento da cidadania.

Medidas, portanto, são necessárias para que a população em situação de rua seja mitigada. Para tanto, o Governo Federal - instância máxima da administração pública- deve assegurar os direitos constitucionais. Isso ocorrerá por meio de destinação de verbas à educação, a fim de garantir o bem-estar do povo brasileiro. Com isso, o poema do escritor pernambucano se distanciará da realidade do Brasil.