A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 30/06/2018
Durante o século XIX, havia escravidão no país. Os escravos quando não obedeciam - ou mesmo quando obedeciam - seus superiores, recebiam linchamentos e chibatadas como um castigo que chegava a levar à morte. Infelizmente, é notório ver que a cultura do linchamento persiste até os dias de hoje, o que não deveria ocorrer, pois é um crime grave sendo cometido.
Primeiramente, é preciso refletir sobre o atual sistema judiciário brasileiro. Do mesmo modo, o filósofo inglês John Locke dizia que se houvesse quebra de confiança no Estado ou se este não cumprisse com suas obrigações, o povo poderia se rebelar. Acresce é que isto está acontecendo atualmente. Como a justiça do Brasil é lenta e tardia, a população acaba fazendo papel de “justiceiros” procurando, sentenciando e punindo os criminosos. Além de fazer mais desordem no sistema, essa prática é ilegal podendo acometer-se até em crimes hediondos como o homicídio. Nesse caso, o povo também seria criminoso por cometer este delito.
Além disso, as fake news reforçam mais ainda a cultura do linchamento. Isso ocorre porque são criadas e compartilhadas vários boatos pelas redes sociais acusando pessoas inocentes. Por exemplo como ocorreu com a moradora do litoral paulista Fabiane Maria de Jesus, ela foi acusada de ter feito magia negra com uma criança e a população local espancou a mulher que acabou levando a óbito. Logo, mostra-se que as notícias falsas fortalecem e pioram mais ainda a prática da justiça com as próprias mãos.
Torna-se claro que medidas devem ser tomadas. A população deveria reivindicar melhorias nas áreas judiciais do país pedindo debates públicos com membros do Poder Legislativo como vereadores e deputados federais, para que o sistema judiciário faça o papel dele de prender e sentenciar os criminosos com mais rapidez. Em suma, o Poder Judiciário, esfera onde é responsável pelas leis do Brasil, poderia investigar as irregularidades que acontecem dentro do sistema judiciário para que a justiça do país deixe de ser lenta e tardia. Ademais, o Poder Legislativo deveria aumentar a punição para pessoas que incitam crimes e incentivam a violência pela internet para que esses casos como o de Fabiane não se propague mais. Em suma, a mídia, maior veículo digital em que as pessoas passam a maior parte do tempo nele, poderia fazer propagandas chamando a atenção para que os internautas procurem ver a veracidade de tal notícia antes de ser compartilhada na internet, assim poderá diminuir os números de fake news compartilhadas. Desse jeito, as práticas de fazer justiça com as próprias mãos possam ser evitadas.