A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 16/07/2018
A série de televisão do “Punisher”, o justiceiro, criada pela empresa MARVEL, expõe o ideal de justiceiro adotado pela população. No mundo fictício, o herói combate os corruptos do governo americano e tenta salvar cidadãos de bem que surgem no enredo da história. No entanto, no mundo real deve-se ressaltar que tais atitudes são reflexos de um descaso das autoridades públicas com o seu compromisso de conceder segurança a todos.
Nesse contexto, é preciso entender o principal fator e talvez o maior responsável por esse sentimento de justiça no âmago de cada indivíduo. Segundo Max Weber, o estado deveria assegurar a paz e segurança, garantindo assim, o bem comum. Entretanto, a falta de comprometimento estatal, a sensação de insegurança e uma legislação fraca acabam favorecendo a justiça com as próprias mãos, uma vez que agressores, possíveis ladrões e estupradores são condenados aos novos heróis do povo.
Por conseguinte, evidencia-se um descompromisso estatal histórico o qual teve como consequência o surgimento das favelas, essas atualmente possuem um novo protagonista e com funções invertidas, dado que o grande articulador e distribuidor dos diversos serviços, os quais o estado deveria ratificar aos aos moradores está sendo utilizado como moeda de troca por milícias para se obter a confiança e a credibilidade do retorno de uma melhor qualidade de vida para os habitantes locais.
Nessa perspectiva, a falta de apoio governamental na segurança e na partilha de serviços básicos transformou grande parte da população simpatizante aos novos justiceiros. Por isso, cabe aos ministros da Segurança Pública e da Fazenda se reunirem para que seja feita novas políticas econômicas visando uma maior cobertura tecnológica, por meio de câmeras para melhor reconhecimento e também estudos nas diversas áreas controladas pelos estados milicianos. Desse modo, a série de televisão da MARVEL continuará apenas no imaginário de cada cidadão.