A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 30/08/2018
Durante a colonização brasileira foi realizado o primeiro registro de linchamento no país, em que uma tribo indígena acusava um dos seus membros de atuar como um líder messiânico. Nesse sentido, a noção de que a própria sociedade pode usar a força para controlar uma situação é histórica e tem gerado consequências, como a morte de inocentes. Sendo assim, deve-se analisar essa visão e buscar soluções seguras e rápidas.
Em primeiro plano, vale ressaltar que a sensação de impunidade é evidente em toda a população. Em sua maioria, quando a força policial é acionada para mediar uma situação, a demora para que ela solucione o caso colabora para que a própria comunidade tente se defender, surgindo assim os chamados “Justiceiros”. Porém, a população julga de forma subjetiva, já que a afetou diretamente, podendo ferir e até matar inocentes. A exemplo têm-se o caso conhecido como “A mulher do Guarujá”, no qual uma mãe foi linchada e morta ao ser confundida pela comunidade com uma suposta aliciadora infantil para a execução de magia negra.
Outro fator a ser mencionado é a influência da mídia no estabelecimento de um perfil único dos “justiceiros”. A desigualdade social colabora para que grupos marginalizados fiquem sujeitos à prática da violência e isso é reforçado pelas novelas e redes sociais, contribuindo para que a sociedade trace uma representação desses criminosos. Segundo uma notícia do site Nexo Jornal, geralmente, os linchamentos ocorrem com jovens negros, o que confirma o poder de interferência midiática na opinião da sociedade.
Max Weber menciona que só o Estado tem o monopólio legítimo da força. Portanto, o Ministério da Defesa, em parceria com os Governos Municipais, deve promover a ação da polícia de forma mais próxima nos bairros, por meio de fiscalizações periódicas e da comunicação direta com os cidadãos, buscando a confiança no Estado, a punição e redução da atuação dos “justiceiros”. Ademais, ONGs voltadas para a minoria negra, junto com as escolas, devem debater, desde o ensino infantil, sobre o papel do Governo na punição, visando a criticidade social sobre o tema.