A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 19/10/2018
A prática da justiça com as próprias mãos é um problema de primeira grandeza em evidência no Brasil. Refletir sobre essa atitude é reconhecê-la como negligente e imperita à isonomia entre os indivíduos perante a lei e, portanto, merecedora de ações de combate. Nesse sentido, torna-se passível de discussão, hoje, a impulsividade de um momento de estresse, bem como a cultura da vingança enquanto fatores agravantes desse quadro.
Em primeira instância, o problema da retaliação é que os homens não são capazes de ponderar suas atitudes quando motivados pelas emoções, ou seja, quando não estão pensando racionalmente. Isso converge com o pensamento platônico de que os sentidos são enganosos e, portanto, a justiça faz-se possível apenas quando provém do plano inteligível. Nesse sentido, é fundamental que somente os mecanismos legais sejam os mediadores entre os conflitos na sociedade, uma vez que esses estão alheios à subjetividade humana e, desse modo, são os únicos capazes de promover a justiça de modo imparcial.
Igualmente, é incontrovertível que o uso da hostilidade é uma atitude questionável. De acordo com o grande Jean-Paul Sartre: “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota. Por conseguinte, é válido argumentar que o revide por intermédio da força, salvo casos de legítima defesa, não trata-se de justiça, mas sim de revanchismo. Logo, à medida em que a cultura do “olho por olho, dente por dente” persistir, a pátria permanecerá fadada ao fracasso.
Em virtude do supracitado, é latente que a justiça deve ser feita à luz da constituição. Para tal, cabe ao poder judiciário conferir maior agilidade às instâncias jurídicas, por meio da nomeação de mais profissionais competentes para o exercício do inquérito dos casos em andamento, para não dar margem à justiça do homem. Ademais, a população civil deve protestar o seu direito de defesa e de julgamento justo, mediante a promoção de passeatas e ocupações em reivindicação contra a cultura do ódio, com o fito de preservar a ordem entre os tupiniquins. Destarte, o Brasil caminhará em direção ao progresso.