A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 21/10/2018

O sociólogo, Max Weber, afirmava que o poder legítimo da força é atribuição do Estado, dessa forma, cabe a ele a promoção da justiça em uma nação. Nesse contexto, o Brasil como Estado Democrático de Direito é adepto a essa máxima, contudo, episódios da prática de justiça com as próprias têm se tornado latente na pátria. Nesse sentido, avaliar as causa que fomenta tal problemática e buscar medidas para cessa-las, são imprescindíveis.

Em primeira análise, cabe pontuar que a ineficiência da justiça em promover sua atribuição na sociedade, estimula o ato da justiça com as próprias mãos. Prova disso, é uma reportagem divulgada  em 2014 pelo, jornal O Globo, no qual aborda que de cada cem crimes cometidos no país, mais  de noventa não são elucidados, configurando-se, assim, como imenso cenário impunitivo. Diante de tal descrédito da justiça, como instituição legitimada para resolver esses atos, os cidadãos está assumindo o dever dela caçando, punindo e até matando pessoas que não tem se quer o direito de se defender. Logo, medidas fazem-se urgentes para coibir essa prática ilegal da força.

Ademais, convém frisar que a disseminação de notícias falsas nas redes sociais, é outro aspecto que induz esse cenário alarmante. Comprova-se isso por meio do caso ocorrido com Fabiane Maria de Jesus, moradora do Guarujá, litoral de São Paulo foi confundida com uma sequestradora de crianças que teve seu retrato disseminado nas mídias sociais. Linchada por várias pessoas da região, até a morte. Nessa conjuntura, é notório que as redes sociais quando mal utilizadas pode ser um artifício que incentiva tal ação deplorável, em um país democrático que assegura o direito da defesa como um bem inerente ao homem. Nesse panorama, alternativas são emergenciais para reverter essas situação que agride o direito do outro.

Fica claro, portanto, a desordem que a justiça com as próprias mãos está gerando no Brasil. Dessa maneira, o Ministério da Justiça  deve destinar mais verbas para o aumento da contratação de juristas e policiais, a fim de que a justiça cumpra de forma eficiente seu papel, assim, diminuindo os casos de tal ato já citado. Outrossim, os indivíduos devem certificarem de informações de crimes alheios compartilhadas nas redes sociais, são fidedignas, e denunciarem para polícia quando forem, com intuito de diminuir casos de linchamentos e a mídia pode criar propagandas evidenciando que a justiça com as próprias mão é um ato ilegal sujeito a pena judicial, com finalidade de conscientização da população de não agir desse jeito. Dessa forma, o Estado Democrático de Direito pode  ser preservado no país.