A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 25/10/2018

Durante o período colonial brasileiro houve o primeiro registro de linchamento, em que uma tribo indígena acusou um de seus membros a executar atos messiânicos dentro da aldeia. Nesse sentido, a prática da justiça com as próprias mãos é algo histórico, no Brasil, e perpetua na atualidade devido estereótipos divulgados pela mídia e a sensação de impunidade social. Sendo assim, analisar tais problemas é necessário.

Primeiramente, vale ressaltar que a impunidade dos crimes influencia nesse comportamento social. Em sua maioria, a demora nas investigações e punições de delitos gera a percepção de ineficiência da segurança pública. Tal realidade, faz com que surjam os ditos “justiceiros”, nos quais agem de forma violenta e subjetiva, visto que atuam induzidos pela emoção do momento, e que pela falta de treinamento específico, podem chegar a matar pessoas. A exemplo, tem-se o caso conhecido como “A mulher do Guarujá”, em que uma mãe foi confundida com uma suposta aliciadora de crianças para a prática de magia negra e morta por “justiceiros”.

Outro fator a ser mencionado é a disseminação de estereótipos dos criminosos. Geralmente, a mídia propaga a ideia de que grupos à margem social são propícios ao crime, dessa forma relatam que homens, jovens e negros, apenas, são criminosos, interferindo na noção da comunidade sobre o grupo. Segundo dados do Atlas da Violência de 2017, houve o aumento no número de homicídios entre jovens negros, no Brasil, o que confirma essa influência negativa da mídia sobre a sociedade.

Marx Weber menciona que só o Estado tem o poder legítimo da força. Portanto, informar a população sobre a ação prejudicial dos “justiceiros” é vital. O Ministério da Justiça, em parceria com universidades públicas, deve elaborar um sistema informatizado nacional que agilize às denúncias e as investigações, por meio de feiras tecnológicas, além de aproximar a polícia dos bairros, a fim de criar confiança e reduzir a ação dos “justiceiros”. Ademais, a mídia deve mostrar, por meio de novelas e reportagens, as noções erradas desse grupo, a fim de gerar senso crítico social.