A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 24/10/2018

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico em que o mau funcionamento de uma das partes provoca um colapso total. Paralelamente a isso, as práticas de justiça com as próprias mãos no Brasil crescem, feitas por pessoas que consideram o seu senso de juricidade certo, revoltadas com crimes que passam sem punição estatal, comprometendo a segurança social. Portanto, é necessário que, por meio de denúncias e do compromisso do Estado em punir os justiceiros, as práticas sejam amenizadas, visto que esse problema seja atual conquanto tenha arraigados fatos históricos com consequências pautadas no socioculturalismo.

Em primeira análise, historicamente inferindo, durante a República Velha no Brasil, grupos anarquistas se destacavam com suas ações, tirando a autoridade do Estado, fazendo justiça com as próprias mãos, pois consideravam-se defensores da população. Com isso, não só no passado como também na contemporaneidade, algumas pessoas ainda fazem justiça através da violência, matando, em muitos casos, inocentes o que contribui para a injustiça social. De fato, os justiceiros não baseiam as punições que devem ser dadas aos criminosos à lei, mas decidem o que fazer de acordo com o seu senso do que é certo, o que leva muitos suspeitos a pagarem com a própria vida por crimes sem comprovação policial de que cometeram.

Ademais, o sociólogo Zygmunt Bauman conceitua a atual era como a era da modernidade líquida pela fluidez das relações interpessoais em que o egoísmo exacerbado se destaca. Sendo assim, os brasileiros se sentem cada vez mais ameaçados pela impunidade de muitos crimes no Brasil, o que permite aos criminosos voltarem a conviver em sociedade sem serem punidos. Dessa forma, a insatisfação de muitos com essa falha do Estado na segurança pública, leva algumas pessoas à justiça com as próprias mãos e consideram isso como legítima defesa. Porém, legítimas defesas ocorrem quando alguém usa moderadamente dos meios necessários para repelir algum tipo de agressão, não sendo responsável pela condenação do agressor.

Destarte, é necessário que hajam denúncias para que os justiceiros sejam presos, que o Estado melhore as condições de segurança pública brasileira e a sociedade seja educada para não ser complacente com esse tipo de prática. Para isso, o Ministério de Segurança Pública em coadunação com o Ministério da educação devem, respectivamente, incentivar denúncias aos justiceiros, garantir a punição dos infratores e ensinar aos cidadãos sobre a importância de estar sob o controle do Estado. Agindo por meio de propagandas midiáticas influenciando as denúncias e forças policiais na apreensão dos criminosos. Além disso, professores que formem cidadãos com entendimento da importância da lei.