A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 09/02/2019

Ao longo do processo de formação do estado brasileiro,a ausência e/ou a ineficácia de Órgãos Públicos de Segurança mostraram-se como as principais causas propulsoras do aumento da violência e criminalidade acarretando,portanto,na recorrente presença de grupos de extermínio e justiceiros,na contemporaneidade.O descrédito no Poder Judiciário e na Secretaria da Segurança com o Brasil,obriga a sociedade a revestir-se desses Órgãos a fim de obter um posicionamento mais eficaz frente a questão.Com isso,surge a problemática da prática da justiça com as próprias mãos no Brasil,seja pela insuficiência de rigidez dos Órgãos para com seus agentes diretos,seja pela lenta mudança de mentalidade social.

É inquestionável que a questão da falência das instituições públicas e o surgimento de grupos que assemelham-se em postura à justiceiros,a milícia por exemplo,estejam entre as causas do problema.Estima-se que,no Brasil,ocorra ao menos um linchamento por dia.Nas últimas seis décadas,cerca de um milhão de pessoas estiveram envolvidas em algum caso de violência coletiva,no país.Dados esses,que evidenciam o mau funcionamento de Órgãos de Segurança,que poderiam evitar ou amenizar tais transgressões,no entanto,apenas assistem ao sensacionalismo que os atuais Judas causam na mídia.

Ademais,destaca-se a contradição da população agressora,que almeja pelo fim da violência,mas que soluciona o caso de forma mais violenta e punitiva.Criando assim,a falsa percepção de que esses eventos de manifestações de ódio são banais.Segundo Hobbes,os homens são maus por natureza,pois possuem um poder de violência ilimitado,e essa onda de intolerância serve para confirmar e legitimar o estado de natureza de Hobbes.

Entende-se,portanto,que a continuidade da prática da justiça com as próprias mãos no Brasil é fruto da ineficácia de Órgãos Públicos e da permanência do sentimento insaciável por vingança da sociedade.A fim de atenuar o problema,a rigidez desses órgãos deve ser fiscalizada.