A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 08/02/2019

“Olho por olho e o mundo acabará cego.” Essa frase atribuída ao pacifista Gandhi traz uma reflexão acerca da antiga lei do talião, que pregava a vingança ao invés da justiça. Por isso, é relevante discutir a relação do Estado com a justiça pelas próprias mãos no Brasil, assim como os impactos sociais dessa realidade bárbara.

Nota-se, de início, que o Estado brasileiro é omisso e ineficiente na questão judiciária. Isso porque o país está imerso em uma crise ética, na qual não deixa que a teoria legislativa seja posta em prática no Brasil. Com isso, a sociedade se sente vulnerável em meio a falta de efetividade do judiciário. Isso é visto na lentidão dos julgamentos e investigações, no estado de calamidade das prisões, que não respeita a dignidade humana. Ademais, há a falta de segurança pública, decorrente, muitas vezes, da corrupção entre alguns policiais e dos próprios representantes eleitos.

Apesar da condição brasileira precária em relação a justiça, a prática da vingança não é a solução. Isso porque esses atos ferem os direitos, que foram buscados por séculos, como A Declaração Universal dos Direitos Humanos, pós segunda grande guerra. Além disso, essa forma errônea de “fazer justiça” traz impactos sociais ainda maiores, já que cria o perigo de voltar a um espécia de Estado de Natureza, estudado pelo filósofo Hobbes. Em uma situação dessa não há limites que regem as condutas humanas,ou seja, o homem é lobo do próprio homem, o que acaba com o tão buscado Contrato Social.

Portanto, é notável a ineficácia da “justiça” pelas próprias mãos, bem como a problemática relacionada a condição judiciária atual brasileira. Por isso, faz-se necessário que a sociedade reivindique a aplicação real da lei brasileira e a efetivação dos seus direitos por meio protestos combinados pelas redes sociais como forma de chamar a atenção dos representantes políticos para a situação. É importante, também, qie a escola promova debates acerca do tema com os adolescentes para que eles entendam o seu papel e o do Estado, a fim de que o mundo não fique cego.