A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 09/02/2019
“A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.”. Essa frase, dita pelo filósofo francês Jean Paul Sartre, quando contextualizada no atual cenário brasileiro, remete à ineficiencia dos poderes judiciário e executivo e a constante busca da justiça através da violência pela população desamparada.
Quando o governo falha em proteger o cidadão, esse passa a se ver como responsável da própria segurança. Isto é, relativizam a justiça para que ela se encaixe em suas pretensões de modo que a pessoa, ao invés de seus atos, seja julgada. Prova disso são os linchamentos que vêm acontecendo intensamente desde o fim da ditadura. E, apesar de contextos diversos, o caráter do crime gira em torno da falta de um sistema judiciário com politicas eficientes, que realmente valem pra todos, e do preconceito, porquê, na maioria das vezes, a justiça feita com as próprias mãos afeta as camadas sociais mais marginalizadas, já que são vistas como a parte descartável da sociedade.
Enquanto muitos brasileiros condenam a violência, outros querem a combater com a mesma moeda. Tal comportamento não se difere dos atos criminosos, principalmente em um país onde os índices de desigualdade são altos e levam parte da população à situações de miséria. Por isso, ao passo que pessoas cometem crimes hediondos e merecem ser punidas, outros estão apenas submetidos a pobreza e roubam para alimentar sua família, por exemplo.
Levando em consideração esses aspectos, principalmente a falha governamental e a segregação social que ocorre no país, é imprescindível que o governo reformule suas leis de forma a agregar valor educativo às punições. E, desse modo, visar a justiça universalizada e humanizada, que reabilite e reintegre aqueles que são marginalizados há muito tempo pela sociedade.