A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 08/02/2019

Desde os primórdios da história a justiça com as próprias mãos é vista como algo positivo por uma parcela da população. Dessa forma, temos a Lei de Talião como exemplo dessa prática. Entretanto, ao longo dos séculos o conceito de justiça, por causa dos Estados ineficientes e excesso de crimes não resolvidos, é confundido com o de violência ao misturar-se com sentimento de revolta e impunidade. Assim,  torna-se evidente que ações ligadas a esse tipo de justiça são muito prejudiciais ao corpo social.

Para o filósofo Thomas Hobbes, há violência entre os homens pois o ser humano é naturalmente mal e egoísta. Diante disso, pode- se dizer que o sentimento de vingança é inerente ao ser humano pois proporciona as sensações de satisfação e prazer para o córtex cerebral. Dessarte, a justiça com as próprias mãos é fruto, na maioria das vezes, de situações impensadas, as quais podem resultar em linchamentos por exemplo, ato que fere os direitos humanos e em alguns casos a ¨justiça¨ torna- se injustiça, pois a vítima é inocente e o ou os agressores estão sujeitos a prisão e danos psicológicos. Assim, observa-se que Terêncio, dramaturgo romano, estava correto quando afirmou: “a justiça inflexível é frequentemente a maior das injustiças.”

Por conseguinte, com um grande número de crimes não solucionados e com um Estado altamente insuficiente os “super heróis” da ficção, tais como Batman e o Homem de Ferro são justiceiros que resolvem crimes os quais profissionais especializados para a área não conseguem e, dessa forma, tornaram-se fenômenos mundiais. Assim, cabe salientar que esses personagens podem ter tanto sucesso por representar boa parte da sociedade e ,algumas das vezes, inspirar parcela dessa população. Para além disso, e para seres humanos que desejam trazer a ficção para a realidade cabe lembrar de um ensinamento deixado por Nelson Mandela, o qual diz que “Devemos promover a coragem onde há medo, promover o acordo onde existe conflito, e inspirar esperança onde há desespero.”

Portanto, conclui-se que nem sempre o “olho por olho, dente por dente” de Talião compensa ou é valido, o ideal para o século XXI é respeitar os direitos humanos e buscar mecanismos para a redução de crimes e punições devidas. Para que isso seja possível é necessário que o Ministério da Justiça disponibilize mais investimentos na área de segurança pública e promoção de concursos públicos, os quais possam agilizar e julgar mais processos em menos tempo. Desse modo, os sentimentos de vingança e impunidade serão minimizados e o desejo de justiça com as próprias mãos também. Assim, os super heróis que inspirarão pessoas serão os da vida real, como a polícia militar por exemplo e o ensinamento de Mandela poderá ser colocado mais em prática.