A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 12/02/2019
O Übermensch, traduzido como super-homem ou além-homem, é o conceito de Nietzsche de uma figura utópica que se superaria, em quesitos como moral e ética, sendo portanto melhor do que os outros, justo e heroico. Hodiernamente, uma grande parte da população brasileira parece se intitular com tal conceito, se vendo melhor do que o poder judiciário e decidindo então trazer justiça por si próprio. Porém, isso é problemático, visto que transforma ódio e ignorância em violência.
A soberania judicial tem problemas, isso é indiscutível. Diversos casos são julgados erroneamente, como de Jose Manoel Severino, preso por tráfico de drogas por supostamente carregar carregar 0,02 gramas de maconha, quantidade inconsumível, e os inumerosos casos de estupro onde a vitima não é ouvida devido a sua vestimenta. O que leva a psique coletiva consubstanciar a necessidade de agir.
Notoriamente, em alguns casos, tomar uma ação física pode ser necessário, se encaixando em legítima defesa, verba gratia os casos que a Lei Maria da Penha, de 2006, é insuficiente para proteger a vitima de violência física patrimonial. Todavia, muitas vezes ações são acobertadas em nome da legítima defesa quando não há, de fato, violência física. Exemplo são os casos onde negros são espancados, as vezes até a morte, por pessoas -normalmente homens e brancos- afirmando que a vitima parecia ser suspeita.Nesses casos, o preconceito e ignorância assume forma na premissa da justita.Nessas situações, o preconceito e ignorância assume forma na premissa da justiça.
Visto que o ser humano é emocional e preconceituoso, longe do ideal nietzschiano, a justiça não pode tomar a forma individual. Deste modo, para mudar a injustiça do sistema judiciário, o povo deve cobrar, em manifestações e outras formas de participação política, representatividade e justiça dos supremos tribunais e suas forças adjacente. Afinal a militância, a manifestação do povo, que permitiu historicamente a justiça ser feita.