A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 06/06/2019

O Brasil apresenta uma total descredibilidade no sistema judiciário, devido a realização de linchamentos por parte da população. Além disso, a sociedade não sente semelhança entre a sua justiça e a do Estado. Por esses pontos surge um problema social que deve ser repudiado.

Primordialmente, nota-se que o cidadão não tem o estudo como meio de justiça. Segundo a socióloga Joyce Pescarolo, a descredibilidade nas instituições governamentais brasileiras causa a sensação de que não há a quem recorrer. Dessa forma, o cidadão pensa que o único meio de alcançar a justiça é fazendo-a com as próprias mãos. Isso torna árida a relação indivíduo-Estado, porque a sociedade rouba o papel de juiz do sistema judiciário. Assim, necessita-se combater esse comportamento que auxilia a justiça com as próprias mãos.

Ademais, nota-se que a sociedade sente maior legitimidade em suas ações. Conforme Edward Ross, grupos sociais carregam um senso de justiça próprio que às vezes diverge das leis da Câmara. Deste modo, quando um indivíduo contraria esses princípios, o núcleo de cidadãos não vê nas leis do Estado semelhança com a sua. Assim, a agremiação crê que seu julgamento é mais genuíno que o dos tribunais. Logo, precisa-se criar no povo o senso de justiça advindo das leis, para que não haja a sensação de ilegitimidade.

Portanto, urge que medidas sejam postas em prática, para que o problema com linchamentos não se perpetue. O Estado deve investir na capacitação dos professores, para que eles tenham conhecimento sobre leis básicas e direitos humanos. Desse modo, os educadores ensinarão às crianças sobre isso, por exemplo, através de histórias que demonstrem esses princípios essenciais. Assim, essas crianças se tornarão adultos conscientes a respeito de justiça, capazes de transmitir isso aos seus descendentes e combater esse comportamento social. A fim de que, no futuro, não haja mais justiça com as próprias mãos.