A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 07/06/2019

O atual cenário de ódio popular generalizado é reflexo da sensação de desamparo social, causado pela falta de um Estado forte, capaz de utilizar dos devidos meios para a punição dos infratores da lei. Assim sendo, como recuperar a confiança do povo no poder público, afim de frear a onda de autotutela e justiça medieval popular?

Há de ser estabelecida, para o bom entendimento do tópico, a conexão entre desamparo social e vingança. Num país que registra índices recordistas de violência, maiores que em países em guerra, de acordo com a ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública; foi previsível o crescente desejo de justiça. Porém, a burocracia atrasa o processo por trás da devida punição. Resultante disto, nasce a insatisfação popular, que se impõe como um dos principais motivos para casos como, por exemplo, o tatuador que imprimiu, na testa de um assaltante, os dizeres: “sou ladrão e vacilão”.      Assim sendo, para tratar o problema da autotutela judiciária, é essencial restabelecer a fé da população no poder de aplicação dos 250 artigos da Constituição, pelo Estado. Isto pode ser feito pelo investimento no reforço dos poderes judiciário e executivo, como também a veiculação midiática das positivas consequências de tal investimento por parte do governo, em conjunto com a iniciativa privada.