A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 12/06/2019

Erros com nossas mãos

Diariamente os telejornais de todo o país noticiam uma avalanche de crimes, que fazem as vítimas e/ou parentes, desesperadamente, suplicarem: “eu quero justiça”! A dor é ainda maior, porque eles têm a triste certeza de que não serão atendidos. O descrédito com o Poder Judiciário no Brasil traz como consequência o aumento no número dos justiceiros.           Pois, se o Estado não me oferece justiça, farei com as próprias mãos. Isso é o que toma assento no inconsciente coletivo das pessoas vitimadas pela violência generalizada. Isso decerto não aconteceria se vigente fosse, de fato, o Contrato Social. Para nossa tristeza, esses justiceiros fazem nosso país cada vez mais vil que varonil.

Muitas vezes as pessoas acabam confundindo justiça com as próprias com agressão a algum indivíduo, sabendo e tendo em sua consciência que isso não irá mudar nada, podendo acabar sendo preso ao invés de deixar a justiça resolver isso como deve ser feito.

O Brasil tem pelo menos um caso de linchamento por dia. Nas últimas seis décadas estima-se que um milhão de pessoas tenha participado de algum caso de violência coletiva com as próprias mãos no país. Com tantos casos, os linchamentos não podem mais ser vistos como momentos excepcionais. A recorrência do fenômeno faz com que ele possa ser considerado um componente da realidade social brasileira.