A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 12/06/2019
A cena comumente se repete na televisão: ao relatar a história de um crime grave, como um homicídio, a reportagem se encerra com algum parente ou amigo da vítima dizendo: “só o que eu quero é justiça”. Na perspectiva de quem sofreu a perda de um dos seus, é como se tivesse havido um desencaixe da ordem natural das coisas. Algo passou a estar errado, fora do lugar, e a punição do criminoso funciona como uma vaga tentativa de restabelecimento da ordem – ainda que de forma incompleta, uma vez que, independentemente de haver ou não punição, a perda em si não se reverte, o que torna esse tipo de crime, em sua essência, irreparável.
Como dizia Aristóteles - “A base da sociedade é a justiça”. O problema é que muitos confundem “justiça” com “vingança”. Dessa forma, acaba surgindo ainda mais violência entre as pessoas. Em uma sociedade com inúmeras tragédias e crimes, as pessoas estão sempre buscando por justiça, porém, muita das vezes, acham que ela deve ser feita de maneira violenta e, cansados de esperar pelas autoridades, fazem a chamada “justiça com as próprias mãos”. O que as pessoas nem sempre tem consciência é que a justiça, de fato, é alguma pena que faça o criminoso pagar pelo ato ilícito que ele cometeu. Já a “justiça com as próprias mãos” é uma maneira de violência, que só gera mais problemas ao invés de resolve-los. Quando praticam esse ato, estão na verdade querendo vingança e não justiça. Um dos fatores para que isso aconteça, são as leis e as autoridades que muita das vezes se mostram ineficientes e incompetentes para cumprirem seu papel devidamente, gerando assim, o sentimento de ódio nos cidadãos e fazendo com que eles busquem “justiça” por si próprios, com as próprias mãos. Contudo, sabemos que violência só gera mais violência e, a justiça deve ser feita pelas leis e autoridades, apesar de nem sempre resolverem os problemas como deveria ser feito. Caso contrário, pode acabar prejudicando pessoas inocentes que só buscavam por justiça, porém, da maneira errada. Como dizia Jean Paul Sartre - “A violência, seja qual for a maneira que ela se manifesta, é sempre uma derrota”.