A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 24/06/2019

Sergio Buarque de Holanda, em sua obra ‘‘Raízes do Brasil’’, descreve uma distopia na qual relata o brasileiro como um homem cordial, devido suas ações estarem ligadas ao emocional e agir impulsivamente. Nesse sentido, por ser um relato analista, o livro parece refletir, em parte, a realidade atual, uma vez que os fatores dessa problemática estão relacionados com a grande quantidade de crimes e imparcialidade governamental ao não aparar o indivíduo. Dessa modo, medidas sociopolíticas devem ser debatidas e compreendidas.

Nessa circunstância, a educação formal é o fator principal no desenvolvimento de um país. Hoje, ocupando uma boa posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto, e esse contraste de desenvoltura é refletido na população. Sob esse âmbito, segundo o site UOL, justifica-se a realidade da grande quantidade de crimes, já que cerca de 35% dos jovens abandonam o colégio ao encontrar na delinquência uma perspectiva social. Dessa forma, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire torna-se possível, uma vez que defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e em seguida libertar o indivíduo da situação a qual encontra-se sujeitado, a marginalização.

Outrossim, ainda que a Constituição Cidadã assegure direitos imprescindíveis, faz-se primordial a fiscalização por parte das camadas sociais para um cumprimento efetivo de sua real função. Uma justificativa para esse policiamento é a cautela para que acontecimentos como o do adolescente ‘‘EU  SOU LADRÃO E VACILÃO’’, no interior de São Paulo, não seja resultado da justiça popular. Nesse sentido, consoante a visão do contratualista John Locke, não é dever do Estado proteger o cidadão do mal causado a si mesmo, e sim defendê-lo do que possam fazer contra ele, visto que negar o dever da preservação da vida é, de fato, direcionar o gerenciamento à negligência. Dessa maneira, urge a necessidade de maior agilidade  do Poder Executivo para ser o mediador da lei.

Convém, portanto, medidas para reverter tal situação. Desse modo, é preciso da atuação mútua entre Estado, educação e população. A esfera maior, por meio da sua autonomia, deverá investir na formação do indivíduo, criando projetos que ofereçam uma metodologia ativa de ensino ao estimular sua aprendizagem e preparação para o mercado de trabalho com cursos profissionalizantes. É imprescindível também, que a escola ofereça uma disciplina reflexiva, por intermédio de sua inclusão na Base Comum Curricular, causando impacto na construção coletiva. E a sociedade, por fim, precisa tomar conhecimento dessa problemática através de pesquisas autônomas para tornar-se o órgão regulador do meio. Assim, a perspectiva impulsiva do homem cordial dará lugar ao bem-estar social.