A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 20/08/2019
Em 2017, dois homens foram presos em São Paulo após tatuarem na testa de um jovem a seguinte frase " sou ladrão e vacilão". Segundo esses homens, esse rapaz havia roubada a bicicleta de um morador e essa tatuagem seria uma forma de “puni-lo” por tal ato. A partir dessa circunstância, é indiscutível que a sociedade nacional deva buscar caminhos para combater a justiça com as próprias mãos, problemática que persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela incúria do Estado, seja pela falta de empatia humana. Nesse contexto, analisam-se as principais causas de tal postura negligente para a sociedade.
Primordialmente, a execução da juricidade por conta própria não é algo atual. A famosa frase " olho por olho, dente por dente" foi criada em aproximadamente 1770 antes de Cristo na Mesopotâmia e é chamada de " lei do Talião", usada por muitos até hoje. Esse fato trás a reflexão de que a humanidade desde o princípio possui a natureza de querer assumir aquilo que não é seu dever, visto que trazer segurança aos cidadãos é dever do Estado, algo previsto na Constituição Federal de 1988. Por o Estado muitas vezes ser ausente, a população acaba achando como solução instituir a justiça de sua forma.
Ademais, a falta de empatia da humanidade é um impasse. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Liquida” práticas egocêntricas marcam a sociedade contemporânea, essa teoria é comprovada no momento em que pessoas comuns se colocam na posição de julgar criminosos, mesmo não possuindo essa autoridade. A falta de empatia maior é vista no instante em que cidadãos resolvem praticar o linchamento, podendo levar pessoas inocentes a morte.
Infere-se, portanto, que a justiça com as próprias mãos deve ser minimizada. Desse modo, o Ministério da Educação, deve, por meio de aulas ministradas por professores de sociologia, orientar os alunos sobre os males da justiça com as próprias mãos, com a finalidade de estimular o senso crítico dos estudantes, dessa forma, evitar que tais práticas ocorram.