A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 30/08/2019
Durante o período no qual o Brasil era Colônia de Portugal, os senhores de engenho puniam os seus escravos da maneira que achassem melhor, realizando justiça com as próprias mãos. Não distante do século XVI, a sociedade contemporânea brasileira, ainda insiste em realizar a atitude da qual lhe vem à tona. Por isso, torna-se necessário o debate acerca da prática de fazer-se justiça com as próprias mãos no Brasil.
Em primeiro plano, é notável que o exacerbado sentimentalismo ocorre ao praticar-se justiça. Segundo o filósofo Immanuel Kant, isso ocorre porque a sociedade deixa de usar seu lado racional ao praticar ações repentinas, esquecendo-se do princípio Kantiano de ética - trazer o bem universal, perante quaisquer ações ou julgamentos. Dentro desse contexto, a população põe em prática o sentimentalismo em frente ao raciocínio, assim, cometendo atos ilícitos perante a lei.
Em segundo lugar, o ser humano tem em si próprio o instinto de vingança, não satisfazendo-se enquanto não realiza os seus desejos. É o que aponta pesquisas feitas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, na qual 29% dos homicídios são justificados por instabilidade emocional - raiva, estresse ou nervosismo -, enquanto 38% são justificadas pela futilidade de vingança. Isso acontece porque, muitas da vezes, o indivíduo não aceita determinada situação, criando em si uma vontade de finalizar tão cenário para satisfação pessoa. Dessa maneira, acaba por cometer atrocidades com outros cidadãos.
Com o intuito de amenizar essa problemática, o Poder Legislativo deve enrijecer leis que pautam o homicídio privilegiado (quando é realizado por motivos fúteis), por meio de punições maiores aos que descumprirem, a fim de acabar com crimes feitos por justificativas que envolvam sentimentos. Além disso, o Ministério da Segurança Pública deve criar propagandas, de modo que estas sejam reproduzidas em horário de pico, para alcançar grande parte da população, com o objetivo de mostrar a punição de quem pratica justiça com as próprias mãos, conscientizando a sociedade sobre os seus atos. Feito isso, o problema deixará de ser um retrocesso, como no século XVI.