A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 17/10/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a prática da justiça com as próprias mãos no Brasil é recorrente. Esse cenário antagônico é fruto tanto do descaso governamental quanto da postura da sociedade. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a aplicação de correção própria deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam crimes contra a sociedade. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a população se vê a mercê de ter que fazer valer a lei, mas sem o poder de coibição do Estado para isso. Desse modo, faz se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar o caráter imediatista da sociedade atual como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, vê-se uma conduta de enfrentamento da injustiça por meio de mecanismos vingativos, o que não faz com que os crimes diminuam, mas sim banaliza a violência. Tudo isso retarda a construção de um país mais seguro, já que por não esperar o cumprimento da lei e praticando justiça com as próprias mãos, o indivíduo contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a justiça própria, necessita-se, urgentemente que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Segurança Pública, será revertido na formação de policiais mais preparados para o cenário brasileiro, através de capacitações e cursos intensivos de conduta policial. Desse modo, os brasileiros, sentindo-se mais protegidos, não precisarão enfrentar a violência e ditar suas próprias leis, e portanto, em médio e longo prazo, a coletividade alcançara a Utopia de More.