A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 30/09/2019

O que é a justiça? Sócrates, ao se debruçar sobre esse conceito, através do diálogo com o povo ateniense, percebeu que não havia um consenso sobre o que ela é de fato, mas ,com efeito, exemplos diversos de supostas práticas justas. Na verdade, não há uma única concepção de justiça, porém, várias interpretações de acordo com a sociedade em questão. Nesse sentido, é primordial apontar as consequências do não reconhecimento do uso legítimo da força pelo Estado e o retrocesso que a justiça com as próprias mãos representa no período contemporâneo.

Em primeira análise, consoante a concepção weberiana, o Estado moderno é a dominação do homem pelo homem, com a ajuda do uso legítimo da força. Sob esse aspecto, nota-se que a partir do momento que um indivíduo usa a violência contra outro, com o reconhecimento da população, o Estado, a lei e , sobretudo, a constituição não são vistos como superiores, mas entidades distantes do cidadão. Sendo assim, a queda da sustentação da sociedade moderna civilizada resultará, por consequência, na sua falência.

Outrossim, de acordo acordo com o filósofo Hegel, o Estado é fruto do espirito absoluto,  isto é, uma criação das ideias mais avançadas possíveis. A partir dessa forma de organização dos seres humanos, formulou-se o mais importante e reconhecido documento da história, a Declaração Universal dos Direitos Humanos(1948). Dessa maneira, definiu-se que não importa quem você é ou o que fez, pois seus direitos estarão sempre garantidos.

Em síntese, é possível inferir que, portanto, a gravidade da justiça com as próprias mão, assim como seus resultados e o regresso que ela representa em relação aos documentos acordados. Logo, com o objetivo de evitar práticas semelhantes, é imprescindível que haja investimentos na capacitação e equipamentos do patrulhamento policial realizado em bairros e comunidades através da prioridade dada a essa questão pelo Ministério da Segurança. Além disso, no âmbito educacional, é necessário, nas aulas de filosofia e história, explicitar a importância das conquistas humanas alcançadas em grupo para que o indivíduo possua a consciência da necessidade de manter as estruturas que permitem a vivencia em sociedade. Embora o irracional seja inerente ao ser humano, seu controle é fundamental.