A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 19/10/2019
Policarpo Quaresma, o patriota de Lima Barreto, em seu “Triste fim”, por ser perdidamente apaixonado pela pátria, enxergava o território brasileiro como o melhor lugar para se viver. Entretanto, hodiernamente, se observa a deficiência das medidas na luta contra a violência exercida pela população como forma de justiça, devido não apenas à deturpada mentalidade social, mas também a educação pública deficitária. Talvez, diante disso, ele repensasse cuidadosamente a sua visão.
A princípio, vale ressaltar o conceito da “banalidade do mal”, proposto pela filósofa alemã Hannah Arendt, referente à tolerância, banalização e normalização daquilo que é assumidamente antiético na sociedade. De fato, a suposta “justiça” perpetrada por meios violentos na sociedade, em diversas vezes, atribuída a ineficácia do poder judiciário na execução das penas, por ser um caso habitual, repetitivo e implícito, produz um conformismo na mente de parcela considerável da população nacional, o qual não só aliena os cidadãos perante ao assunto, bem como oculta a real magnitude do problema.
Além disso, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, o Brasil é a nona economia mundial. Apesar do alto potencial econômico, o sistema educacional público ainda não se mostra totalmente eficaz e tem como reflexo a persistência da violência física como meio legítimo de justiça, visto que, na maioria das vezes, a falta de debate sobre o assunto dentro das instituições de ensino faz com que os jovens se mantenham com vieses estereotipados decorrentes do senso comum, ou ainda pior, inobservantes quanto a questão. Desse modo, isso propicia a frequente continuação desse pensamento negativo pelas gerações.
Logo, cabe ao Ministério da Educação criar um programa, ministrado por psicólogos, para ser impulsionado nas instituições de ensino, o qual promova palestras, apresentações artísticas e saraus abertos ao público geral acerca do respeito perante às leis e o quanto impacta negativamente no coletivo ações de violência como forma de resolver infrações, dado que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador, a fim de que, consequentemente, a comunidade escolar e civil se eduquem. Assim, poder-se-á criar um legado condizente ao ufanismo do Policarpo Quaresma.