A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 29/10/2019

“Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz”. Como retratado na música do Teatro Mágico, uma palavra pode ter vários significados. O que é o caso de “justiça”, em que cada pessoa tem uma interpretação do que é ou não, tendo como influência direta o pensamento emocional e o “calor do momento”. Levando isso em consideração, a justiça com as próprias mãos demonstra os sérios problemas enfrentados pela população, já que isso mostra o quão insatisfeita ela está com as providências tomadas pelo Estado para tratar dos crimes.

Primeiramente, de acordo com o ditado popular: todos são inocentes até que se prove o contrário. Entretanto, com a demora da Justiça para resolver os casos e a soltura rápida dos presos, muitos brasileiros estão perdendo a esperança no Estado. Além disso, como dito por um dos ministros do Supremo Tribunal Federal durante o julgamento do ex-presidente Lula, não é o acusado que deve mostrar que é inocente, mas sim a justiça que deve provar que ele é culpado. Ou seja, a lei deve decidir quem sofrerá ou não as consequências de algum ato criminoso e quais serão elas.

Ademais, está cada vez mais fácil convencer alguém de que se está certo, seja por meio de montagens ou notícias falsas. Essa facilidade somada ao descontentamento do povo com o Estado é uma ferramenta para manipular indivíduos para realizarem justiça com as próprias mãos e pensarem que estão certos, pois, como na frase atribuída à Joseph Goebbels, “uma mentira contada mil vezes se torna verdade”. Então, de tanto falarem que esse tipo de linchamento é correto, o agressor acaba acreditando e continua fazendo, muitas vezes sem notar que não é o “herói”. Por isso, é importante pensar racionalmente antes de agir.

Destarte, a justiça com as próprias mãos é um fato que não pode ser ignorado, porque, em muitos dos casos, de razão não tem nada. Para isso, cabe ao Ministério da Justiça divulgar como são feitos os julgamentos e mostrar para a população, por meio de vídeos ilustrativos, o quão minucioso eles devem ser para que não se cometa nenhuma injustiça. Afinal, a justiça é o que a Lei diz.