A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 27/02/2020

De acordo com o método de linguagem corporal, “SCANS”, quando algo nos irrita, promovendo raiva genuína, tendemos a entrar em modo de combate, deixando de lado pensamentos racionais, e baseando-se em instintos de sobrevivência. Apesar de ser um comportamento da espécie, hodiernamente descarta-se a necessidade de fazer justiça com as próprias mãos, visto que existem órgãos governamentais voltados à justiça e segureza do cidadão, tornando esta prática um problema, o qual é causado pela opacidade dos sistemas oferecidos e pela ausência de confiança dos indivíduos.

Primeiramente, é mister tratar sobre a falta de transparência da Justiça e de órgãos de segurança brasileiros, a qual é uma proeminente causadora da problemática. Evidência disso são os dados divulgados pelo IBGE, em 2018, os quais mostram que cerca de 70% dos casos judiciais e policiais relacionados à violência são simplesmente guardados e abandonados. Esse descaso promove a raiva e o sentimento de injustiça aos cidadãos, que acabam se tornando vítimas dos próprios instintos e, infelizmente, reforçam que a justiça com as próprias mãos não é a solução.

Ademais, torna-se essencial ressaltar a falta de confiança dos cidadãos para com o Estado, o qual possui, como instância máxima do poder, o dever de proteger e resolver problemas que, judicialmente, a ele cabem. Porém, apesar de essa posição ser compreensível, devido ao desserviço constado frequentemente por parte do Governo, a sociedade deve se unir ao Estado de maneira cooperativa, o que urge mudança imediata.

Portanto, visto a tempestividade da problemática, deve partir do Governo e da sociedade, por meio da adoção de novas políticas e, respectivamente, da difusão da paz em redes sociais, a reorganização dos órgãos prestadores de serviços à comunidade, e a manutenção da paz e tranquilidade dos indivíduos. Somente dessa forma, visando uma maior efetividade estatal e protocooperação da sociedade e do Governo, será possível reduzir consideravelmente os índices da problemática, não sendo necessário o modo de combate à vida cotidiana da população.