A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 22/05/2020

Na animação japonesa “Death Note”, o protagonista, Light Yagami, é contemplado com o poder de matar, decerto, qualquer pessoa, o que o faz ir atrás dos criminosos locais. Contudo, na própria trama, é visível o fado que tal capacidade se tornou à Light, fato que, fora da ficção, sugere que a justiça com as próprias mãos pode não ser a solução para empecilhos reais. Sendo assim, no âmbito do Brasil, aponta-se o descrédito popular às Forças Armadas como a principal causa a essa problemática, o qual incita o apoio comum à milícia.

Primeiramente, afirma-se que tal descrença é fruto da natureza lúdica humana. Para depreender melhor, vale evocar o holandês Johan Huizinga e o seu livro “Homo ludens”. Com ele, o autor preconiza a existência de um ímpeto humano em crêr no que perpassa o real. Sob essa óptica, os indivíduos, muitas vezes, passam a enchergar os sistemas de segurança e justiça pública como antagonistas, questão que promove a justiça com as próprias mãos em meio ao arcabouço social do Brasil.

Por conseguinte, as milícias locais, perante essa noção, preenchem os anseios da população. Esse panorama é similar ao do longa-metragem “Coringa”, no qual os indivíduos apoiam o protagonista quem, mesmo que errado, respondia às necessidades gerais. Nesse sentido, as organizações criminosas fazem o papel do Coringa e, comumente, denotam uma fulcralidade em face da justiça com as próprias mãos, usando dos novos aliados como meros recursos ora contra a oposição, ora contra o Governo.

Portanto, visto a intempestividade dessa mazela, infere-se a imperiosidade em dissolvê-la para evitar essa prática no país. Para tanto, compete ao Ministério de Segurança Pública, por meio de um novo projeto, o dever de levar os atos policiais ao entendimento cidadão, por exemplo, documentando e, com apoio midiático, divulgando à população, a fim de evidenciar o lado benevolente desses sistemas e o mutualismo inerente entre tais e sociedade. Dessarte, observar-se-iam menos pessoas que aludem à Yagami, eliminando a justiça com as próprias mãos do Brasil.