A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil

Enviada em 17/06/2020

No anime japonês “Attack on Titans”, o protagonista Eren Yeager vê sua mãe ser brutalmente assassinada por um titã que invadiu a sua vila. Em consequência disso, Eren entra para a tropa de reconhecimento de sua cidade no intuito de encontrar o responsável pela morte de sua mãe e se vingar. Fora da ficção criada pelo escritor Hajime Isayama, a realidade brasileira não se difere muito do universo de Attack on Titans. Assim como o protagonista, muitos brasileiros acreditam que a justiça feita pelas autoridades do estado não é suficiente, e isso, somado à sede insaciável por vingança, motiva a população a praticar a justiça com as próprias mãos, ocasionando o problema do linchamento.       Em primeiro lugar, é preciso entender que a principal motivação do linchamento é a procura infinita por vingança. Como por exemplo, o que ocorreu com Eren, que, ao perder um ente querido, algo na sua vida passou a estar fora do lugar, e a punição do criminoso funcionou como uma vaga tentativa de restabelecimento da ordem de sua vida. Contudo, esse restabelecimento transcorre de forma incompleta, uma vez que o crime cometido contra a sua mãe é irreversível.

Entretanto, além do linchamento ser ilegal, frequentemente o criminoso acusado não cometeu nenhuma infração. Como no caso da Fabiane de Jesus, mãe de duas meninas e dona de casa, que foi espancada até a morte por seus próprios vizinhos porque se parecia com o retrato falado de uma suposta praticante de magia negra que estava sequestrando crianças na região. Porém, o boato da “Bruxa de Guarujá” logo foi desmentido, sendo aquele retrato de uma mulher carioca que tentou, sem sucesso, sequestrar um bebê em 2012 no norte do Rio de Janeiro. Apesar do ocorrido, nenhum dos moradores sofreu punições pelo estado. Diante disso, tem-se um paradoxo, ao tentar fazer justiça com as próprias mãos, comete-se diversas injustiças.

Portanto, fica evidente a necessidade de uma reforma judiciária por meio de punições mais severas e penas mais longas, tanto para criminosos quanto para os que cometem o linchamento. Visando que, a justiça, ao tirar a liberdade de ambos, indique aos responsáveis que não vale a pena repetir os atos, e passe uma mensagem aos demais integrantes da sociedade de que nenhum crime compensa. Além disso, cabe ao ministério da educação fazer campanhas publicitarias com sociólogos e advogados, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do linchamento em suas vidas e nas vidas das vítimas. Para que, futuramente, o povo, diferente de Eren Yeager, se sinta protegido pelo estado e não veja necessidade em atos primordiais como o linchamento.