A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 28/06/2020
Volta Seca, personagem criado pelo escritor brasileiro Jorge Amado, em seu livro Capitães da Areia, é um adolescente que, ao ser preso e torturado pela polícia da Bahia, decide se juntar ao grupo dos cangaceiros de Lampião e matar todos que o haviam maltratado. Fora do aspecto literário, nota-se que o cenário citado não se restringe aos livros, pois a prática da justiça com as próprias mãos é uma marca lamentável na sociedade brasileira. Destarte, é fundamental analisar a negligência governamental como causa primordial dessas ação, bem como seus efeitos para a nação verde-amarela.
Em primeira análise, pode-se mencionar a ineficiência do governo como contribuinte para a prática da justiça com as próprias mãos. Sobre isso, cabe destacar a obra Leviatã do filósofo Thomas Hobbes, o qual afirma que o fracasso do Estado em garantir a segurança e o bem-estar coletivo, contribui para que os indivíduos hajam segundo o seu estado natural: a violência. Assim, ao acreditar que as instituições são frágeis e incapazes de resolver seus problemas, o povo brasileiro decide praticar sua própria justiça, atitude que se assemelha à Antiguidade Mesopotâmica, na qual o ditado “Olho por olho, dente por dente” permeava o cotidiano social.
Em segunda análise, é imprescindível salientar os efeitos dessa problemática para o Brasil. Tal questão pode ser vista no filme “Coringa”, o qual, ao abordar a busca por justiça das classes mais baixas, demonstra que a violência popular como uma forma de vingança possui um único resultado: o caos. Por conseguinte, fica claro que essas ações movidas por uma falso senso de justiça põem em risco todo o corpo social, assim como violam princípios importantes da vida, a saber a liberdade e segurança nacional.
Portanto, é inconcebível que o Brasil, país que preza pela “Ordem e Progresso” em sua bandeira nacional, vivencia tal realidade de desordem. Logo, urge ao Estado promover uma maior segurança pública da população, por meio de órgão de fiscalização mais eficientes, com o fito de que a justiça seja praticada de forma correta, ou seja, pela lei. Somente assim, pessoas com o mesmo sentimento do personagem Volta Seca se sentirão seguras e bem amparadas.