A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 06/07/2020
“Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz”. Como retratado na música do Teatro Mágico, uma palavra pode ter vários significados, o que é o caso de “justiça”, pois cada pessoa tem uma interpretação do que é ou não, tendo como influência direta o pensamento emocional e o “calor do momento”. Levando isso em consideração, a justiça com as próprias mãos demonstra sérios problemas enfrentados pela população, já que isso expõe o quão insatisfeita ela está com as providências tomadas pelo Estado para tratar dos crimes.
Primeiramente, todos são inocentes até que se prove o contrário. Esse adágio é conhecido por muitos brasileiros, entretanto, poucos são os que o levam em consideração no dia a dia. E, com a demora da Justiça para resolver os casos e a soltura rápida dos presos, uma parcela da população está perdendo a esperança no Estado e tem buscado corrigir, eles mesmos, os indivíduos que julgam terem cometido infrações. Além disso, parafraseando um dos ministros do Supremo Tribunal Federal durante o julgamento do ex-presidente Lula, não é o acusado que deve mostrar que é inocente, mas sim a justiça que tem que provar que ele é culpado. Ou seja, a lei que deve decidir quem sofrerá ou não as consequências de algum ato criminoso e quais serão elas.
Apesar disso, está cada vez mais fácil convencer alguém de que está certo, seja por meio de montagens ou notícias falsas. Essa facilidade, somada ao descontentamento do povo com o Estado, é uma ferramenta para manipular pessoas para realizarem justiça com as próprias mãos e pensarem que estão certos, pois, como na frase atribuída à Joseph Goebbels, “uma mentira contada mil vezes se torna verdade”. Então, de tanto falarem que esse tipo de linchamento é correto, o agressor acaba acreditando e continua a fazer, muitas vezes, sem notar que não é o “herói”. Por isso, é importante pensar racionalmente antes de agir.
Destarte, a justiça com as próprias mãos é um fato que não pode ser ignorado, visto que, em muitos dos casos, de legalidade não tem nada. Para isso, cabe ao Ministério da Justiça divulgar como são feitos os julgamentos e mostrar para a população, por meio de vídeos ilustrativos, o quão minuciosos eles devem ser, para que não se cometa nenhuma injustiça. E, a população pode, e deve, cobrar isso dos governantes, a fim de ficar mais informada do que acontece com os infratores. Assim, comportamentos ilegais não serão reparados de acordo com o que os indivíduos acham ou não certo, afinal, a justiça é o que a Lei diz.