A prática da justiça com as próprias mãos no Brasil
Enviada em 29/08/2020
Sociedade consciente é justiça.
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. Entretanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade brasileira no que concerne à questão da prática da justiça com as próprias mãos. A partir desse viés, nota-se a existência de um grande problema, em virtude da questão cultural na sociedade e da insuficiência da legislação.
É preciso, mormente, atentar para o contexto sociocultural presente no Brasil. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da busca pela justiça com as próprias mãos é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um cenário social de que a justiça nada resolve, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a escassez de leis. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à questão do hábito da justiça com as próprias mãos no Brasil, uma vez que essa prática continua atuando fortemente no contexto atual. Assim, a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Torna-se imperativo, portanto, modificar a visão da população acerca das leis. Isto pode ocorrer através de uma ação conjunta do Poder Judiciário com o Ministério da Educação, promovendo palestras e debates em escolas acerca do processo de elaboração e fiscalização das leis no Brasil, a fim de que as novas gerações se tornem mais atuantes e entendam o propósito das leis e, destarte, abandonando a prática da justiça com as próprias mãos. Dessa forma, a escolha do modo de agir dos cidadãos será de forma mais consciente e, como efeito, responsável.